Senado cria CPI dos cartões; governo quer presidente e relator

O Senado criou nesta terça-feira umaCPI exclusiva para investigar gastos com os cartõescorporativos do governo, que a base aliada pretende controlarou até derrubar na Justiça. Antes mesmo da leitura do requerimento da CPI pelo senadorEfraim Moraes (DEM-PB), primeiro-secretário do Senado, o líderdo PMDB na Casa, Valdir Raupp (RO), afirmou que a base pretendeexercer sua maioria. "Houve uma quebra do acordo por parte da oposição (que lhegarantia a presidência da CPI mista). O PMDB é o maior partidodessa Casa e o governo tem maioria. Nos sentimos à vontade,portanto, para garantir presidência e relatoria dos trabalhos",disse Raupp. Por ser a maior bancada, o PMDB tem a prerrogativade ocupar os dois cargos. O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), reagiu egarantiu que a oposição ocupará um dos cargos. "Se houver qualquer tentativa de esmagamento, que sepreparem para uma resistência espartana. Não somos 'sparring'de ninguém. O segundo maior partido da Casa é o DEM e vamos embusca do nosso direito." Ideli Salvatti (SC), líder do PT, apresentou uma questão deordem contra a instalação da CPI no Senado pela existência daCPI mista. "Há jurisprudência para que esta CPI não seja instalada,porque existe uma investigação em curso tratando exatamente damesma coisa", argumentou. O líder do DEM, Agripino Maia (RN), rebateu, alegando que aoutra CPI é mista e essa é exclusiva do Senado. Garibaldi citoua CPI da crise aérea que ocupou as duas Casas. Ideli não se deupor satisfeita e ameaçou recorrer à Justiça. Mesmo que consiga a presidência ou a relatoria, a oposiçãovai ser minoria na CPI. Dos 11 senadores, oito devem ser dogoverno (três do bloco governista, três do PMDB, um do PDT e umdo PTB). A estratégia já anunciada pela oposição será a de levarpara o plenário, em votação nominal, todos os requerimentos quevierem a ser derrubados na CPI, o que inviabilizaria o anolegislativo. A instalação da CPI no Senado depende agora da indicaçãodos integrantes pelos líderes dos partidos. A oposição disseque espera no máximo uma semana.

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