Senado cria CPI das ONGs

O Senado instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação de organizações não-governamentais (ONGs) no País, particularmente na Amazônia. A comissão foi criada a partir de denúncias de que parte dessas ONGs, a maioria financiada com recursos externos, estaria praticando biopirataria, extraindo minerais e comprando terras em diversos pontos da região amazônica. Hoje, cerca de 800 ONGs atuam no País. O presidente da CPI, senador Mozarildo Cavalcanti (PFL-RR), afirmou que a comissão recebeu denúncias graves, sugerindo que algumas ONGs com atuação na Amazônia vêm agindo contra os interesses nacionais. De acordo com ele, essas entidades têm interferido nas questões indígena, ambiental e de segurança nacional. "A ação de muitas dessas ONGs é uma ameaça real à soberania nacional", avalia Cavalcanti.A opinião de Cavalcanti é endossada pelo senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM). Para o senador, as atividades de algumas ONGs, principalmente nas áreas indígenas, "podem contribuir, a médio prazo, para acelerar o processo de internacionalização da região". Mestrinho reconhece, porém, que muitas ONGs desenvolvem um trabalho sério na Amazônia. Em visita à Amazônia, no ano passado, o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, criticou a atuação das organizações não-governamentais na Amazônia. O ministro lembrou, à época, que "as ONGs se banqueteiam de recursos internacionais e dão umas migalhas para os índios que moram no Norte do Brasil".

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