Senado cria 97 novos cargos ao custo de R$ 12,5 mi ao ano

Senadores poderão contratar mais um assessor de gabinete, a partir de agosto, com salário acima de R$ 9 mil

REUTERS

10 de julho de 2008 | 14h28

A Mesa Diretora do Senado aprovou a criação de 97 novos cargos, correspondentes a um assessor para cada um dos 81 senadores e mais 16 para as lideranças partidárias, com salários de R$ 9.979 cada um. O acréscimo de gastos do Senado será de 12,5 milhões de reais por ano. Cada senador terá o direito agora a 13 funcionários, mas é possível desmembrar a verba na contratação de outros empregados por valores menores.    Veja também: Especial: Veja o custo do Legislativo   Garibaldi diz que novo cargo no Senado vai 'pegar mal' "O Senado não precisa desses cargos eu sou contra, mas fui voto vencido, acho que não pega bem para imagem da classe parlamentar, não vai ser bem entendido, nem assimilado", disse o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). De acordo com o diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, o ato ampara-se no entendimento de que sempre que a Câmara dos Deputados aumenta a verba de gabinete, como foi feito, o Senado cria um cargo correspondente a esse aumento de despesa. "Eu sou técnico, não sei da conveniência política", disse Maia, quando perguntado sobre a necessidade dos novos cargos.   Garibaldi acrescentou que a decisão foi política e não econômica, mesmo porque há disponibilidade financeira para bancar os novos gastos. "O Senado, na verdade, não está precisando de criar mais cargos, há outras prioridades. Pega mal e não vai ser bem entendido nem assimilado", afirmou. A pressão em favor do novo cargo partiu do primeiro-secretário do Senado, Efraim Moraes (DEM-PB). O vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), ainda tentou levar o assunto às bancadas, mas Efraim alegou que seria desnecessário, pois já tinha obtido o apoio de todos os líderes partidários. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) saiu da reunião antes da decisão. "Na discussão afirmei que o presidente do Senado não poderia ser desautorizado, mas assumo a responsabilidade, pois sai antes do final para participar de um almoço da bancada do PSDB", disse. O tucano defende uma reformulação estrutural do Senado, inclusive, com a redução do número de senadores. Ele questionou sobre a necessidade da criação do cargo. "O problema é que alguns senadores precisam e outros não. Uns fazem bom uso da presença de mais um assessor de alto nível e outros não", completou, ao pôr em dúvida se realmente o salário será concedido a um especialista.  (Com Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo)

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