Senado confirma nomeação de ex da neta de Sarney

Pressionado, presidente da Casa já declarou que irá exonerar Henrique Dias Bernardes

Rosa Costa e Leandro Colon de O Estado de S. Paulo e Carol Pires da AE,

27 de agosto de 2009 | 19h41

Bernardes, com o celular na boca, próximo a Sarney durante o casamento da filha de Agaciel Maia  

 

BRASÍLIA - O Senado convalidou o ato que nomeou Henrique Dias Bernardes, ex-namorado de uma neta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para um cargo no serviço médico da Casa. Em gravações feitas pela Polícia Federal e reveladas em reportagem do Estado, Sarney aparece intercedendo pela contratação do rapaz, que acabou nomeado dias depois por ato secreto. Além da nomeação de Bernardes, o Senado decidiu convalidar hoje outras 19 contratações que haviam sido feitas por ato sigiloso, de acordo com informação da assessoria de imprensa da Diretoria-Geral do Senado.

 

José Sarney já se pronunciou sobre o caso. Pressionado, o presidente do Senado declarou que irá pedir a exoneração de Henrique Dias Bernardes.

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As convalidações dos atos pelos quais foram nomeados Henrique Dias Bernardes e os outros 19 servidores devem ser divulgadas no sistema de publicação do Senado nesta sexta-feria, 28. Ao todo, 65 atos secretos que tratavam de nomeação de servidores já foram convalidados.

Os funcionários foram mantidos nos cargos porque, segundo regra da próprio Senado, os senadores ou chefes responsáveis pelas vagas dos servidores nomeados por ato secreto poderiam requisitar a garantia da vaga, bastando para isso que enviassem ofício à Diretoria-Geral. Haroldo Tajra, diretor-geral do Senado, já havia informado que a maioria dos servidores, entre eles Henrique Dias Bernardes, deveria ser mantida no quadro de funcionários da Casa.

 

Contratação de Bernardes

 

Bernardes foi nomeado em abril do ano passado, quando era namorado de uma neta de Sarney, Maria Beatriz. O nome dele aparecia entre os 20 atos secretos - referentes a nomeações - divulgados ontem pela diretoria-geral numa nova lista de "legalizados". Com as outras 19 medidas convalidadas, quase metade dos 511 atos secretos identificados em junho já foi legalizada, incluindo outros 45 de nomeações e 80 que deram gratificações a servidores. O que sobrou tem pouca relevância: trata de exonerações e comissões de trabalho já extintas.

 

O boletim sigiloso que deu emprego a Henrique Bernardes foi publicado no dia 10 de abril de 2008. Lotado no serviço médico, ele era namorado de Maria Beatriz Sarney naquela epóca. Em 22 de julho passado, o Estado publicou reportagem revelando diálogos captados pela Polícia Federal - com autorização da Justiça - em que o senador José Sarney negocia com o filho Fernando (pai de Beatriz) a nomeação de Bernardes. Na ocasião, Henrique disse que não sabia que fora nomeado por ato secreto e que chegou afirmar que "era um privilégio para o Senado tê-lo no quadro de funcionários". O filho do presidente do Senado recorreu à Justiça e conseguiu, no dia 31 de junho, uma liminar para impedir o Estado de continuar publicando informações sobre a investigação da PF.

 

O argumento da diretoria-geral para convalidar o ato secreto de Henrique Bernardes, antes do recuo de Sarney, foi o de que sua chefia imediata informou que ele vem cumprindo suas funções devidamente. A mesma justificativa dada aos demais casos, inclusive os de alguns garçons que atendem o plenário, entre eles José Antonio Paiva Torres, nomeado por ato secreto em setembro de 2001. Na semana passada, o Senado já havia convalidado outras medidas administrativas ocultadas. Entre os nomes beneficiados, três ligados a Sarney: a sobrinha Maria do Carmo de Castro Macieira, Nathalie Rondeau - filha de Silas Rondeau, aliado do senador-, e Alba Lima, mulher de Chiquinho Escórcio, também aliado do presidente do Senado.

 

O senador mandou exonerar Maria do Carmo, lotada no gabinete de Mauro Fecury (PMDB-MA), suplente da ex-senadora e hoje governadora Roseana Sarney (PMDB). Já Nathalie Rondeau, por enquanto, continua empregada. Aspirante a modelo, ela foi nomeada em agosto de 2005 para trabalhar no Conselho Editorial, órgão presidido por Sarney. Seu pai, Silas Rondeau, foi ministro do governo indicado por Sarney.

 

O pedido de Beatriz Sarney para nomear o namorado no Senado não é a primeira ligação de um neto de Sarney com a instituição. A crise que tomou conta da Casa mostrou pelo menos mais dois netos do senador usufruindo da estrutura interna. O primeiro foi João Fernando Sarney, irmão de Bia. Ele é filho de Fernando Sarney e trabalhou no gabinete de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). O outro foi José Adriano Sarney, filho do deputado Sarney Filho (PV-MA). José Adriano é dono de uma empresa que intermediou empréstimos consignados a servidores do Senado.

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