Senado começa a cortar diretorias

Demissões vão permitir economia de R$ 400 mil por mês; Heráclito avisa que haverá mais exonerações

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

Depois do escândalo com a revelação de que o Senado tem 181 diretores, a Casa divulgou ontem a lista de nomes e cargos dos 50 diretores exonerados. A dispensa representará uma economia mensal de R$ 400 mil, segundo o diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo. As outras 131 diretorias, porém, continuarão a gerar gastos mensais estimados em R$ 1,048 milhão.O primeiro secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), prometeu ontem mais demissões para a próxima semana. Mas não quis se comprometer com números. "Só lamento que a chaleira tenha estourado na minha mão."Entre os diretores que vão perder as suas funções imediatamente estão Elias Lyra Brandão e Francisco Carlos Melo Farias - responsáveis, respectivamente, pela coordenação administrativa de residências e a coordenação aeroportuária, conhecida também como diretoria de check-in.Farias era responsável por assessorar os senadores no Aeroporto Internacional de Brasília, nos embarques e desembarques. Ele trabalhava no próprio aeroporto. Já Brandão administrava os apartamentos funcionais do Senado e ficava instalado em um dos imóveis.Heráclito afirmou que os primeiros afastados trabalhavam em órgãos que não comprometem o que chamou de "áreas estratégicas" da Casa. Quem também perdeu o cargo ontem foi Cristiane Tinoco Mendonça, que era secretária do ex-diretor geral da Casa Agaciel Maia. Ela ingressou no Senado como telefonista e ocupava um apartamento funcional.O ato chama a atenção por misturar servidores tidos como de primeiro nível, que realmente exerciam função de direção, com outros que se limitavam a receber pela função. GRATIFICAÇÕESSegundo Gazineo, os diretores dispensados perdem as gratificações, que variam de R$ 2.064,01 a R$ 2.229,13, e voltam às suas funções originais no Senado. Neste primeiro momento, foram afastados apenas concursados. "Nenhum diretor comissionado foi exonerado porque isso é atribuição dos senadores", disse.A reportagem, no entanto, identificou entre as dispensas Claudia Dias Costa França, coordenadora de comunicação institucional, que era comissionada e foi indicada pelo ex-presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN).

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