Senado avalia voto de censura a Lula

Frase ?bons pizzaiolos? usada pelo presidente resulta em requerimento

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

Um dia após derrotarem o governo na indicação de um diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), os senadores voltaram a retaliar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a oposição pela criação da CPI da Petrobrás e os chamou de "bons pizzaiolos". O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) apresentou requerimento de voto de censura contra Lula. Pelo menos 11 senadores assinaram o requerimento que, agora, será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), antes de ser levado a plenário. "Esse voto de censura visa à história. Daqui a 50 anos, os historiadores vão ver essas declarações que Lula deu", disse Cristovam. "Existem aqueles que podem ser pizzaiolos e ele sabe quais são. Em geral, são os que estão mais próximos a ele hoje. E existem aqueles que não são. Ele generalizou e ofendeu toda a nossa instituição."Indignados, os senadores fizeram questão de observar que Lula chamou de "pizzaiolos" os parlamentares que são da base aliada. Na CPI da Petrobrás, a maioria governista é expressiva, são oito votos do governo contra apenas três da oposição."Na medida em que o Lula diz que vai dar pizza, está criticando os próprios companheiros de governo. Só vai dar pizza se a maioria quiser e a maioria está com ele", disse o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Às vésperas do recesso parlamentar e com o plenário praticamente vazio, Cristovam conseguiu assinaturas de parlamentares não só de oposição. Membros do PTB, do PDT e do PMDB apoiaram o voto de censura, além do DEM e do PSDB."Esse requerimento mostra a nossa indignação", comentou o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). "Normalmente se censura um filho, uma pessoa subalterna. Aqui, como somos iguais, são poderes iguais. Estamos censurando o chefe do Executivo, porque realmente não soube se comportar como tal." O único a defender Lula foi o líder do PTB, Gim Argello (DF). "O negócio é que o presidente fala a linguagem popular, mas ele não teve intenção de ofender os senadores", afirmou.

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