Seminário discute vigilância de medicamentos

A Academia Nacional de Medicina fez um alerta para a ausência de um banco de dados que concentre informações sobre reações adversas provocadas em pacientes por medicamentos. Segundo o farmacologista Roberto Soares de Moura, integrante da academia, o País carece de um sistema de farmacovigilância que comunique ao Ministério da Saúde quando um remédio causa efeitos não previstos pela bula e informe sobre a eventual necessidade de retirá-lo do mercado."O Brasil só toma uma providência quando as agências de saúde internacionais resolvem banir uma droga. Já é tempo de nos tornarmos independentes", afirmou Moura, que é professor titular de Farmacologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).O tema será debatido na próxima sexta-feira (25) durante o seminário "Farmacovigilância: notificação e registro de reações adversas", que reunirá especialistas de farmacologia e medicina do Brasil e do exterior. Ao final do encontro, a Academia Nacional de Medicina vai encaminhar proposta de criação de um sistema do gênero à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).Moura lembra que a farmacovigilância tomou força depois dos efeitos devastadores verificados nos filhos de pacientes que ingeriram talidomida. "Às vezes, os testes feitos antes da aprovação do remédio não detectam todos os efeitos colaterais ou pelo menos, não com a intensidade com que eles podem aparecer" disse o farmacologista.Recentemente os médicos descobriram que o medicamento mibefradil, usado no tratamento contra a hipertensão, pode causar arritmia cardíaca. "Na bula, não havia qualquer referência a problemas no coração", comentou Moura.ApoioO presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma), Ciro Mortella, apóia a iniciativa. Segundo ele, a maioria das empresas associadas à entidade tem sistema de farmacovigilância. "Isso eleva o padrão de qualidade dos produtos e também o nível de proteção dos consumidores", afirmou Mortella."É sempre melhor retirar o remédio do mercado antes que haja um prejuízo maior para a saúde dos pacientes. As empresas não querem ser responsabilizadas por efeitos adversos não previstos", disse o presidente da Abifarma. "O uso continuado do medicamento deve ser acompanhado de alguma forma."

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