Semelhantes, tragédias no Brasil e na Argentina geraram reações diferentes, diz jornal

Incêndios em Santa Maria e em boate em Buenos Aires em 2004 tiveram circunstâncias semelhantes, mas autoridades argentinas se distanciaram do caso.

BBC Brasil, BBC

29 de janeiro de 2013 | 08h18

As semelhanças entre os incêndios na boate Kiss, em Santa Maria, e na discoteca Cromañón, que matou 194 pessoas em Buenos Aires em 2004, contrastam com a reação das autoridades de cada país em relação à tragédia, na avaliação de artigo publicado nesta terça-feira pelo diário argentino Clarín.

"Fortes semelhanças com o Cromañón, mas com reação política distinta", diz o título do artigo, que comenta que após o incêndio no bairro portenho do Once, em 30 de dezembro de 2004, tanto o prefeito da cidade, Aníbal Ibarra, quanto o presidente do país, Néstor Kirchner, "se mantiveram distantes das famílias".

Como no incêndio deste fim de semana no Rio Grande do Sul, o incidente na discoteca de Buenos Aires começou durante um show musical com fogos de artifício. Nos dois casos, sobreviventes relataram dificuldades com as rotas de fuga mal sinalizadas ou insuficientes. E em ambas as tragédias, a grande maioria das vítimas morreu intoxicada com a fumaça.

O diário comenta que, no caso brasileiro, porém, "o poder político de imediato se solidarizou com os familiares das vítimas". "E poucas horas depois a presidente Dilma Rousseff suspendeu sua participação na Cúpula Celac-União Europeia e voou do Chile para Santa Maria, onde uma centena de jovens feridos e internados ainda lutavam para sobreviver".

"É lógico que um presidente atue dessa maneira diante de uma situação como essas, mas na Argentina, nem Kirchner nem Ibarra estiveram presentes", afirmou ao jornal o advogado Fernando Soto, que representa as famílias de vítimas do Cromañón.

O artigo comenta ainda que apesar de 14 condenados pelo incêndio de 2004 estarem presos, "ainda há feridas que não cicatrizam", como a falta de apoio das autoridades.

O Clarín comenta que Ibarra (que depois sofreu impeachment por conta do caso) "sempre foi criticado por não ter ido ao Cromañón naquele 30 de dezembro de 2004, e Kirchner (foi criticado) por não ter dado mais apoio e a prioridade de sua agenda (aos familiares das vítimas)".

O jornal, cujos donos estão em conflito com o governo argentino por conta da Lei de Meios, que ameaça desmantelar o grupo Clarín, conclui citando um comentário sobre a questão publicado por um internauta argentino no Twitter: "Acompanhar as vítimas não soluciona a tragédia. Mas abandoná-las e ignorá-las multiplica a dor". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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