Semana será decisiva para desobstruir pauta da Câmara

A 20 dias do início do recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Aécio Neves (MG), terá uma semana decisiva para desobstruir a pauta e concluir a votação de projetos importantes. As atenções estarão voltadas para a polêmica em torno das mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que está dividindo a base aliada do governo, e a proposta corrigindo em 20% a tabela do Imposto de Renda para pessoas físicas. A votação das duas matérias coincide com as pressões para a liberação de recursos previstos pelas emendas parlamentares ao Orçamento da União deste ano e para incluir as reivindicações à proposta orçamentária de 2002.Além da insatisfação pela retenção de verbas orçamentárias, os líderes governistas terão também que conciliar os interesses parlamentares com o clima pré-eleitoral que já domina as conversas políticas. As mudanças na CLT são consideradas impopulares e a área econômica ameaça com corte de gastos caso o Congresso aprove correção na tabela do Imposto de Renda. O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), garantiu hoje que o projeto da CLT será votado amanhã. Independentemente da posição do PMDB, que promete se unir à oposição na tentativa de derrotar o governo, ele está otimista. "Estou confiante de que vamos votar", disse. Na avaliação de Madeira, os partidos de oposição adotaram uma postura "político-eleitoral e não técnico-legislativa", já que muitos propostas já mudanças propostas já estão funcionando na prática. Quanto ao PMDB, o deputado disse que continuará conversando com os seus líderes em busca de apoio. "Mas cada um assume sua responsabilidade", afirmou. Caso o projeto da CLT seja votado, a pauta da Câmara ficará destrancada, possibilitando a apreciação de outras matérias importantes como às emendas constitucionais que autoriza os municípios e o Distrito Federal a cobrarem taxa de iluminação pública, que permite a participação de capital estrangeiro em empresas de comunicação e o segundo turno da proposta que restringe a imunidade parlamentar.Caberá também ao deputado Aécio Neves incluir ou não na pauta a votação do recurso feito pelos governistas para que o plenário da Câmara vote o projeto que corrige a tabela do Imposto de Renda em 20% . Se for aprovado o recurso, a matéria terá será submetida ao plenário, configurando um teste de força do governo. Os líderes governistas pretendem encaminhar um substitutivo alterando a proposta aprovada nas comissões que, segundo estimativas da Receita Federal, significaria um rombo de R$ 3 bilhões na arrecadação.

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