Marcos Correa/Presidência da República
Marcos Correa/Presidência da República

Semana na CCJ vai ser de trocas para garantir votos a Temer

O více-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun, vai ocupar o cargo de titular, substituindo José Fogaça; O PTB e o PSD também terão substituições

Daiene Cardoso, Isadora Peron e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2017 | 11h10

BRASÍLIA – Diante da perspectiva de derrota na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a base governista prepara uma série de mudanças na composição do colegiado na próxima semana para garantir votos contra a admissibilidade da denúncia que acusa o presidente Michel Temer de corrupção passiva.

O vice-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun (MS), será alçado ao posto de titular no lugar de José Fogaça (PMDB-RS). Membro da “tropa de choque” do governo, Marun abriu a temporada de trocas na comissão quando foi colocado na suplência no lugar de Valtenir Pereira (MT), que trocou o PMDB pelo PSB.

O PTB também pretende tirar Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), notório opositor do governo, da titularidade da comissão. Faria de Sá vai para suplência no lugar de Giovani Cherini (PR-RS) e para a vaga de titular do PTB será designado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Na bancada do PSD, Evandro Roman (PSD-PR) substituirá Expedito Netto (PSD-RO) como titular.

O esforço dos partidos da base aliada é garantir que governistas tenham prioridade de voto na apreciação do relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). Como a perspectiva é de que o parecer será pela admissibilidade da denúncia, os governistas atuam para reverter o cenário ruim e avisam que podem fazer mais substituições.

Só o Solidariedade fez quatro trocas nos últimos dias. Primeiro saiu Major Olímpio (SD-SP), que votaria contra o governo, e entrou o líder da bancada, Áureo (SD-RJ), na vaga do titular. Olímpio foi para a suplência. Na sequência, Áureo deixou a vaga de titular e indicou Laércio Oliveira (SD-SE), reconhecido governista, para votar como titular. Em uma vaga de suplente cedida pelo PROS, o Solidariedade formalizou a indicação de Wladimir Costa (SD-PA). Costa ficou conhecido na Casa por ser defensor do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética mas, no dia da votação da cassação no colegiado, mudou de posição diante da pressão da opinião pública.

Contagem. Após intensa mobilização dos líderes da base, a Câmara conseguiu atingir o quórum mínimo de 51 deputados para que a sessão plenária de ontem, 7, contasse como prazo para a tramitação da denúncia. O governo tem pressa em liquidar o processo e não atrasar o cronograma previsto para votação da denúncia.

Às 10h15, 71 parlamentares haviam marcado presença, quórum considerado alto para uma sexta-feira. Pelo regimento interno da Câmara, a CCJ tem até cinco sessões para aprovar o parecer que será levado ao plenário. Até agora, duas sessões foram contabilizadas.

Deputados tiveram dificuldade em acompanhar o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), em um voo para Caruaru (PE) porque só poderiam marcar presença depois das 8h. A mudança no horário de marcação de presença gerou desconfiança de que o comando da Câmara estaria atuando para boicotar a contagem de prazos. A Secretaria Geral da Mesa informou que a mudança se deve a uma adequação do horário dos servidores e porque a oposição sinalizou que poderia judicializar o processo se a presença dos deputados fosse marcada muito antes do horário do início da sessão plenária. O Palácio do Planalto também questionou o ministro tucano, que marcou um evento em Pernambuco às 10h, levando consigo oito deputados que precisavam estar em Brasília pela manhã.

Para garantir o quórum, líderes da base permaneceram em Brasília e fizeram uma intensa mobilização na quinta-feira, 6, telefonando para deputados e pedindo para que eles adiassem o retorno para seus Estados de origem. Participaram da articulação os deputados Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), André Moura (PSC-SE), Lelo Coimbra (PMDB-ES) e Baleia Rossi (PMDB-SP).

 

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