Semana de protestos do MST começa com ocupação de fazenda na Bahia

Empresa que administra o imóvel denuncia destruição de área de preservação permanente

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

01 de março de 2012 | 17h57

Um grupo de mulheres, organizadas pela Via Campesina e o Movimento dos Sem-Terra (MST), ocupou na manhã desta quinta-feira, 1º, a Fazenda Esperança, que fica no município baiano de Alcobaça e pertence à empresa Suzano Papel Celulose. Os administradores do imóvel comunicaram o fato às autoridades e, segundo nota distribuída pela assessoria de imprensa do grupo, medidas judiciais para a desocupação estão sendo providenciadas. A nota também informa que as mulheres destruíram áreas de plantio de eucalipto e também a área de preservação permanente (APP) da fazenda.

 

Provenientes de assentamentos rurais e de acampamentos de sem-terra do sul da Bahia, as mulheres que participam da ocupação protestam contra a destinação de áreas rurais para o plantio de eucalipto. A ação faz parte de uma jornada de manifestações que se realiza todos os anos nesta época, para comemorar o Dia Internacional da Mulheres. Ocupações, marchas e atos de protestos devem se multiplicar até o dia 8 de março.

 

A monocultura do eucalipto, segundo as mulheres que estão na fazenda do grupo Suzano, acelera a destruição das áreas remanescentes da Mata Atlântica e impede que a terra cumpra a sua função social. Elas querem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desaproprie a fazenda, para que seja destinada à criação de assentamentos da reforma agrária.

 

"As 23 mil famílias que estão hoje acampadas na Bahia poderiam ser acampadas nas grandes áreas de monocultivo de eucalipto", diz a nota divulgada pela assessoria do MST e da Via Campesina sobre a ocupação. A nota também diz que 1.100 mulheres participam da ocupação. Por outro lado, a nota da empresa faz referência a 600 invasoras.

 

A Suzano Papel e Celulose, que faz parte do grupo Suzano, opera no segmento de celulose de eucalipto e papel e vende seus produtos para quase cem países. O site da empresa na internet enfatiza sua preocupação em fornecer produtos e serviços corretos do ponto de vista socioambiental. Suas áreas ambientais somam 771 mil hectares, dos quais 326 mil com florestas plantadas, concentrados na Bahia, no Espírito Santo, em São Paulo, em Minas Gerais, no Maranhão, no Tocantins e no Piauí.

 

No ano passado, as mulheres do MST e da Via Campesina ocuparam áreas da Veracel, outra empresa produtora de papel e celulose, no município de Eunapólis, também no sul da Bahia.

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