Sem um livro sequer, Collor vai para Academia de Letras

Entidade alagoana fez escolha por artigos e discursos

, O Estadao de S.Paulo

03 de setembro de 2009 | 00h00

O ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB) foi eleito ontem o integrante da Academia Alagoana de Letras. Apesar de não ter nenhum livro publicado, ele ocupará a cadeira 20, que pertencia ao médico Ib Gatto Falcão, ex-presidente da Academia, falecido em dezembro de 2008.

Na avaliação, a casa considerou artigos de Collor em jornais, na imprensa local e nacional, e uma coletânea de discursos. Por meio do presidente do Instituto Arnon de Mello, Carlos Mendonça, o senador se disse muito honrado com a conquista. Ele era candidato único e obteve 22 votos dos 30 membros que votaram. Houve 8 votos em branco.

O presidente da Academia, d. Fernando Iório, disse nunca tinha visto votação tão expressiva. Para o bispo, jornalista e escritor, a eleição foi "livre, limpa e bonita". "O ex-presidente foi eleito pela sua produção jornalística impecável, por seus artigos e discursos."

Ao se candidatar, em dezembro, Collor apresentou à Academia Alagoana de Letras uma coletânea dos discursos e artigos sobre os mais variados temas. Também exibiu o esboço do livro que escreve há anos sobre a sua versão do impeachment. Segundo os seus assessores, A crônica de um golpe está no prelo.

Entre os imortais, a eleição de Collor foi bastante elogiada. O escritor Carlito Lima, que tomou posse em outubro de 2008, disse que o ex-presidente é bem-vindo e tem tudo para engrandecer a instituição. Para o poeta Diógenes Tenório Junior, a escolha do senador pode trazer investimentos na estrutura da casa.

A Academia Alagoana de Letras foi fundada em 1º de novembro de 1919 e se prepara para completar 90 anos. Em seu estatuto, se descreve como instituição civil que tem por finalidade desenvolver a cultura literária no Estado. Entre seus objetivos está adquirir livros, documentos e manuscritos de homens de letras, sobretudo de Alagoas, para disponibilizá-los aos leitores.

Consta do estatuto que a entidade se compromete em manter biblioteca com sala de leitura, arquivos e museus de objetos pertencentes aos sócios falecidos, entreter relações com sociedades congêneres do País e do exterior, além de publicar a Revista da Academia e trabalhos sobre assuntos literários ou que se incluam entre as matérias permitidas.

São ainda atribuições da entidade, de acordo com o documento, "promover conferências, reuniões, cursos sobre temas culturais, preferencialmente literários; instituir prêmios e honrarias e colaborar intelectualmente com os poderes públicos no aprimoramento das letras em Alagoas".

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