AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA
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Sem-teto se recusam a participar de protesto pró-governo

Manifestações convocadas por CUT, UNE e MST em 31 cidades não terão a partipação do MTST; segundo líder Guilherme Boulos, objetivo é marcar "independência" em relação a Dilma

Eduardo Barretto, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 21h59

SÃO PAULO - Movimentos sociais que apoiam o governo Dilma Rousseff - como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e União Nacional dos Estudantes (UNE) - prometem realizar, no próximo sábado, 3, em 31 cidades, novas manifestações contra o impeachment e com críticas ao ajuste fiscal do governo. Desta vez, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terro (MTST) não participará dos protestos. 

Guilherme Boulos, líder do MTST, afirma que o movimento estará ausente porque pretende marcar "independência" em relação ao governo Dilma. "Uma das diferenças (em relação a protesto anterior) é que agora não é possível, não é papel dos movimentos sociais defenderem o governo", afirmou ao Estado. Segundo ele, na próxima quinta-feira deverá ser lançada a Frente Povo Sem Medo, que tem uma "demarcação mais clara" de independência ao governo. 

Movimentos sociais que apoiam o governo Dilma fizeram atos pelo País em 20 de agosto que contaram com a presença dos Sem-Teto. Em 13 de agosto, CUT, MST e UNE também fizeram manifestação como contraponto a protestos em defesa do impeachment de Dilma, ocorridos em 15 de março. 

O presidente da CUT paulista, Douglas Izzo, contemporizou a ausência dos Sem-Teto neste fim de semana. "No dia 20 (de agosto), foi uma atividade organizada por entidades, não por uma frente. O que ocorreu depois do dia 20? Nós tivemos a criação da Frente Brasil Popular, no dia 5 de setembro, que reúne as entidades, e que também abre espaço para que partidos que defendam a democracia, que defendam uma política mais justa para o povo brasileiro participe desses debates", disse. Segundo ele, há conversas para a unificação dessa frente com o MTST, já que a crítica à política de ajuste fiscal é ponto comum. 

Apesar da defesa do governo, organizadores das manifestações criticam a reforma ministerial negociada por Dilma para aumentar espaços do PMDB e evitar o impeachment. "Nós avaliamos que o governo comete um erro em apostar todas as fichas em levantar uma base para o impeachment com base apenas no Congresso Nacional. No entendimento da Frente Brasil Popular, para barrar o impeachment e para barrar essa crise econômica é preciso que o governo Dilma retome sua base social, que foi responsável pela vitória em 2014", afirmou Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP).

"Na avaliação da frente, o PMDB vai continuar 'comendo' o governo não só para uma peça de impeachment, mas também chantageando o governo para implementar uma pauta que não é a pauta que foi apresentada no processo eleitoral de 2014". 

Petrobrás. A data das manifestações foi escolhida para ocorrer no dia em que a Petrobrás completa 62 anos. As entidades chamam os atos de Dia Nacional em Defesa da Democracia, da Petrobrás e Contra o Ajuste Fiscal. "Varrer a corrupção da Petrobrás não significa varrer a Petrobrás junto", afirmou a presidente da UNE, Carina Vitral.

Os organizadores não fizeram estimativas de público. Segundo eles, o fato do protesto ocorrer em um fim de semana dificulta as previsões. As manifestações anteriores ocorreram durante a semana. 

 

O ato na capital paulista começará às 14h na Avenida Paulista e deve terminar no fim da tarde na Praça da Sé. São Paulo é o Estado com mais protestos marcados: na capital e em seis cidades. A previsão é mobilizar militantes em 21 estados e no Distrito Federal. Em Brasília, os manifestantes passarão longe do Congresso ou do Palácio do Planalto: o protesto será em Ceilândia, cidade a 30 km da capital federal. Em quatro cidades (Vitória, Goiânia, Cuiabá e Natal) já haverá manifestações nesta sexta-feira. 

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