Sem-Terrinha cobram mais escolas em acampamentos no PR

MST realiza no Estado a semana das crianças sem-terra; segundo dados do movimento, são cerca de 18 mil

Agência Brasil,

14 de outubro de 2008 | 20h04

Cerca de 5 mil crianças de acampamentos e assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participam da Semana dos Sem-Terrinha, em várias regiões do Paraná. Segundo o coordenador do Setor de Educação do MST, Alessandro Santos Mariano, elas entregam suas reivindicações a órgãos públicos vinculados à educação nos municípios da Lapa, Antonina, Cantagalo, Cascavel, Bituruna, Planaltina do Paraná, Ortigueira e Jardim Alegre.   "Essas crianças querem escolas, terra e dignidade. Todos têm o direito de estudar em escolas nas comunidades onde vivem, com ensino voltado para a realidade das famílias camponesas" - afirmou. As crianças cobram dos governos municipal e estadual a construção, ampliação e reforma de escolas nos assentamentos e acampamentos. No Paraná, de acordo com o coordenador, 25 mil famílias moram em 288 assentamentos. "Estimamos que com essas famílias vivam cerca de 18 mil crianças de até 12 anos, que têm direito à educação", disse Mariano.   O Paraná conta com 100 escolas em áreas de assentamentos e 11 itinerantes nos acampamentos, todas regulamentadas pela Secretaria Estadual de Educação, mas de acordo com o coordenador do Setor de Educação do MST, a demanda ainda é grande. "A maioria tem problemas estruturais. Em alguns acampamentos falta até energia elétrica e uma criança nos dias de hoje sem noções básicas de informática, por exemplo, está fora da realidade". Mariano cita o caso do assentamento Vale da Conquista, no município de Cândido de Abreu, onde existem 27 alunos cursando de 1ª a 4ª séries, nessas condições.   Outro caso que precisa ser resolvido, segundo ele, é o de Santa Maria do Oeste, em Pitanga, onde não tem o ensino médio. As crianças dependem de transporte, estradas ruins e horas de viajem, se quiserem continuar estudando, diz o coordenador. Segundo ele, o número de escolas itinerantes também é pequeno para atender as crianças das 6,5 mil famílias que vivem nos 67 assentamentos do estado. "O que eles (os sem-terrinha) estão fazendo esta semana, com atividades que se encerram nesta quarta-feira, é discutir seus direitos com base no Estatuto da Criança e do Adolescente".

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