Sem-terra são sepultados sob forte esquema policial

Os cinco sem-terra assassinados sábado no acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST) próximo à cidade de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha, foram sepultados hoje sob forte chuva e com o acompanhamento de um forte contingente policial - 120 homens das polícias civil, militar e federal - deslocado para a pequena cidade mineira. Três suspeitos de participação no crime estão presos e são interrogados na cidade próxima de Jequitinhonha, a 64 quilômetros de Felisburgo.Os três suspeitos detidos, segundo relato feito por telefone pelo vereador José Gonçalves (PT), eram integrantes do acampamento invadido e teriam se vendido aos pistoleiros, passando informações que teriam ajudado à invasão. O vereador informou ao Estado que os 240 sem-terra que ocupavam o acampamento foram removidos para o ginásio poliesportivo de Felisburgo com a ajuda do prefeito Jairo Murta Pinto Coelho (PSDB).O município de Felisburgo tem três vereadores ligados ao MST - Gonçalves, Gerolino Souza e Sandoval Barbosa - mas só o último foi reeleito para a próxima legislatura. Gonçalves contou que, no fim da manhã de sábado, 12 a 15 pistoleiros desembarcaram de uma van e entraram no acampamento atirando e incendiando barracos. Segundo ele, os pistoleiros não eram da região e o que se diz na cidade é que eles teriam sido contratados no sertão baiano.Ele não subscreve, por enquanto, as suspeitas da polícia civil, para quem os pistoleiros teriam sido contratados pelo fazendeiro Adriano Chafik, dono da fazenda onde se situava o acampamento. Segundo ele, o fazendeiro é um homem pacato. ?Isso aqui era um panela de pressão há mais de dois anos?, disse Gonçalves. ?Como ninguém se interessou, explodiu?, concluiu.

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