Sem-terra são presos por agredir colega assentado

Treze sem-terra foram presos em Santa Maria do Oeste, a 400 quilômetros de Curitiba, no oeste do Paraná. Eles são acusados de invasão de propriedade, cárcere privado e porte ilegal de armas. Segundo a polícia, os sem-terra invadiram o lote do assentado Adão Luiz Lorine, companheiro deles no Assentamento Araguaí. Os sem-terra estão presos na Delegacia de Pitanga. De acordo com lideranças do Movimento dos Sem-Terra (MST) na região, Lorine teria dois lotes no mesmo assentamento, e um deles estaria abandonado. O assentado teria sido comunicado de que, caso não produzisse nada nos cerca de 15 hectares, a comunidade indicaria outra pessoa para ocupá-lo, o que acabou acontecendo. Lorine conseguiu, então, na Justiça, mandado de reintegração de posse, que foi cumprido pela Polícia Militar. Ainda segundo o MST, Lorite teria arrendado um dos lotes e ido morar em outro com a mulher e um filho. Ele estava começando a levantar uma casa de madeira. Revoltados, alguns sem-terra foram até o local ontem e o retiraram. "Nós não aceitamos que haja um lote sem produção dentro do assentamento", disse um dos líderes, que pediu para não ser identificado. "Cada lote precisa ter uma família assentada produzindo." A polícia afirma que Lorite e seus familiares foram amarrados pelos sem-terra, o que caracterizaria o cárcere privado. O movimento nega qualquer violência. "Ninguém foi amarrado", afirmou o líder, que não se identificou. Segundo a polícia, outros 20 sem-terra conseguiram fugir, do contrário também seriam presos. A polícia diz que pegaram, com os detidos, espingardas, punhais, facões e foices.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.