Sem-terra resistem a reintegração em MS

Armado, grupo ligado à Contag recebe ultimato da Polícia Militar

João Naves, CAMPO GRANDE, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

Armados com ferramentas agrícolas, cerca de 300 sem-terra ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) resistiram ontem à ordem de reintegração de posse da Fazenda Jamaica, pertencente ao reverendo Moon, sul-coreano que preside a Associação das Famílias para a Paz Mundial. A área de 2.500 hectares fica em Jardim, cidade a 340 quilômetros de Campo Grande, na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul. A propriedade foi ocupada no dia 27 de julho. O comandante da Polícia Militar na região, coronel Luiz Ubiratan Maria da Cruz, e o delegado regional de Polícia Civil, João Eduardo Santana Davanço, desistiram das negociações e deram um ultimato aos invasores: até a próxima sexta-feira os sem-terra poderão deixar o local pacificamente. Se não saírem, serão despejados.Em nome de sua associação, o reverendo Sun Myung Moon, de 87 anos, comprou fazendas em uma extensão que vai do município de Bonito até Porto Murtinho. Ao todo, são 43 áreas registradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Denunciadas como áreas improdutivas em 2004, todas foram alvo de vistorias do Incra, que constatou um processo de agrupamento dessas fazendas. As 43 áreas originais foram fundidas em apenas 17. O Incra definiu como terras próprias para a reforma agrária as Fazendas Jamaica, Nossa Senhora de Fátima, Morro Azul, São Jorge e Paraíso Figueira.Em 2005, o Incra concluiu o processo de seleção das áreas do reverendo Moon consideradas apropriadas para a reforma agrária, incluindo a Fazenda Jamaica. Mas ainda não houve distribuição de nenhum lote para os sem-terra.DESOCUPAÇÃOEm Pedro Osório, no Rio Grande do Sul, o Movimento dos Sem-Terra (MST) desocupou a Fazenda da Palma. A decisão de sair foi tomada poucas horas antes da chegada da Brigada Militar para fazer cumprir uma ordem de reintegração de posse dada pela Justiça à proprietária, Amélia Eichinique Lopes. Ontem, ao amanhecer, 300 soldados cercaram as barracas dos sem-terra, mas não encontraram ninguém.Foi a terceira vez neste ano que militantes do MST se instalaram numa área dentro da propriedade rural de 2 mil hectares, produtora de arroz e gado de corte. As ocupações anteriores ocorreram entre 11 e 13 de abril e entre 27 de abril e 8 de maio.O MST vai manter a pressão sobre a Fazenda da Palma, anunciou uma das lideranças do movimento, Irma Ostrovski. O grupo de invasores voltou para um acampamento montado num assentamento vizinho à propriedade rural. De lá, poderá ir diariamente à fazenda, prática que já adotou. Pela proximidade, também terá facilidades para sair a cada vez que a Brigada Militar se aproximar do local. "Eles usam a estratégia de se instalar em áreas limítrofes", constata o subcomandante da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes.

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