Sem-terra querem Incra em SP

Texto pedirá que reforma deixe de ser feita pelo Itesp

José Maria Tomazela, O Estadao de S.Paulo

02 de maio de 2009 | 00h00

Sem-terra do Pontal do Paranapanema e região de Araçatuba, no oeste paulista, aprovaram ontem, em plebiscito, a transferência da gestão da reforma agrária em São Paulo para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Atualmente, a tarefa está a cargo da Fundação Instituto de Terras (Itesp), órgão do governo estadual. Dos 3.700 votantes, 95% optaram pelo órgão federal, enquanto 3% preferiram o Itesp - houve 2% de votos brancos e nulos. O plebiscito, organizado pelo líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, não é reconhecido pelo Itesp. Segundo Rainha, o resultado será encaminhado, em forma de documento, ao secretário da Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, e ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel."Esperamos que o secretário da Justiça reconheça o resultado e devolva ao Incra a função de realizar assentamentos em São Paulo", disse Rainha. De acordo com o líder, acampados e assentados da região participaram da votação, que foi acompanhada por lideranças políticas e prefeitos. O plebiscito foi realizado durante encontro, em Mirante do Paranapanema, para discutir o projeto do biodiesel, bancado pelo governo federal, na região. Rainha leu uma carta da ministra chefe da Casa Civil Dilma Roussef de apoio ao programa. "Aproveitamos para lançá-la como a candidata dos sem-terra à presidência." De acordo com Rainha, o evento teve apoio da prefeitura de Mirante, mas o deslocamento até a cidade foi custeado pelos próprios sem-terra. O Itesp informou que tem a atribuição constitucional de arrecadar terras tidas como devolutas para destinar à reforma agrária e que, para a maioria da sociedade, vem cumprindo de forma satisfatória essa função.

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