Sem-terra querem 40 fazendas para suspender invasões no PA

Para suspender a onda de invasões que tomou conta da região nordeste paraense nos últimos quinze dias, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), uma dissidência do MST, está exigindo do governo federal a desapropriação de 40 fazendas para assentar mais de seis mil famílias. O coordenador da Fetraf no Estado, Raimundo Nonato de Souza, disse que as fazendas onde as famílias querem ser assentadas estão localizadas em terras da União e do Estado. "Não aceitamos que fazendeiros criem gado ou madeireiros derrubem a floresta em áreas onde vivem e trabalham populações tradicionais, ribeirinhos e quilombolas", afirmou Souza. Ele defende uma ação conjunta do Instituto de Terras do Pará (Iterpa) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para garantir às famílias da região o direito de regularização das terras. O líder dos sem-terra aproveitou para criticar a morosidade do Incra na criação de assentamentos, dizendo que os agricultores "não querem esmola nem caridade do governo", mas apenas que a lei de acesso e distribuição da terra seja cumprida. "O grande problema do Incra é muita reunião e pouca ação. O órgão é dominado por uma burocracia infernal, que atrasa tudo o que é discutido nas reuniões com os movimentos sociais", acusou Souza. O superintendente do Incra em Belém, Cristiano Martins, prometeu estudar a reivindicação da Fetraf, afirmando que o órgão, ao longo dos últimos quatro anos, vem fazendo sua parte para reverter o quadro de exclusão social que ainda flagela o meio rural brasileiro, em especial a região amazônica. "Estamos fazendo regularização fundiária, assentando famílias sem terra e apoiando a agricultura familiar", rebateu Martins. Nos últimos quatro anos, segundo ele, foram criados 162 projetos de assentamento que beneficiaram 34.561 famílias. A área total dos projetos criados corresponde a 804.166 hectares. O ouvidor agrário estadual, desembargador aposentado Otávio Maciel, provocou a ira dos sem terra ao defender anteontem, num programa de televisão em Belém, a reação de milícias armadas dos fazendeiros às invasões de terra. Souza disse que Maciel precisa ser exonerado da função porque estaria "insuflando ações violentas no campo".

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