Sem-terra prometem desocupar fazenda na BA até segunda

Palco do mais grave conflito de terra ocorrido na Bahia nos últimos meses, a Fazenda Monte Cristo, situada no município de Camaçari, na região metropolitana de Salvador será desocupada até a segunda-feira. A garantia foi dada pela direção estadual do Movimento da Luta pela Terra (MLT), ligado à Força Sindical numa reunião mantida com representantes do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o ouvidor agrário nacional Gersino José da Silva Filho, enviado a Salvador pelo Ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto para acompanhar a situação.No último dia 23, dezenas de famílias de sem-terra ocuparam o local pela terceira vez e logo depois um dos proprietários, Tadeu Miranda Caldas, que é delegado de polícia do município baiano de Rio Real, chegou ao local acompanhado de 72 jagunços armados para expulsar os invasores. Houve tiroteio e 60 pessoas saíram feridas inclusive duas baleadas em estado grave. Agentes da 26ª Delegacia de Polícia da localidade de Abrantes, com apoio de policiais militares prenderam todos os pistoleiros que foram liberados após prestar depoimento. Depois da confusão 350 sem-terra voltaram à fazenda para esperar uma solução. Eles alegam que a Monte Cristo é improdutiva, mas o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e o Centro de Recursos Ambientais do Estado (CRA) comunicaram à Justiça que a fazenda dispõe de áreas remanescentes de mata atlântica e por essa razão não poderia ser usada para reforma agrária. Diante desse parecer o juiz da 7a vara Federal de Salvador, João Batista de Castro Júnior deferiu liminar impedindo a vistoria da área para desapropriação. O acordo intermediado pelo ouvidor Gersino visa exatamente a desocupação da área para que técnicos do Ibama, CRA e Ministério Público realizem um levantamento detalhado para definir se a fazenda possui mesmo área de preservação ambiental. Um dos líderes do MLT Damião Muniz da Silva informou que a entidade vai armar um acampamento do lado de fora da porteira da fazenda para alojar as famílias à espera de uma solução. O prazo para a vistoria é de quatro meses ao longo do qual os sem-terra receberão cestas básicas do Incra. Caso a fazenda não possa ser desapropriada, o instituto se comprometeu a arranjar uma outra área para o assentamento.

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