Sem-terra prestam depoimentos no Paraná sobre morte de líder

Ele e um segurança da Syngenta foram mortos no domingo após confronto na fazenda experimental da empresa

Miguel Portela, do Estadão

24 de outubro de 2007 | 20h06

A Polícia Civil de Cascavel (PR)tomou nesta quarta-feira, 24, depoimentos  para apurar os responsáveis pelas mortes do líder sem-terra Valmir Motta de Oliveira, 42 anos, e do segurança, Fábio Ferreira, 25 anos. Eles foram mortos a tiros durante confronto domingo na fazenda experimental da Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste. Nesta quarta, a polícia ouviu os depoimentos dos líderes dos MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e da Via Campesina, Celso Ribeiro Barbosa e Célia Aparecida Lourenço.   Celso foi o primeiro a depor pela manhã. Célia no período da tarde. Os dois estavam acompanhados pela advogada do MST, Giseli Cassano. De acordo com a polícia, os integrantes do MST declararam que durante a reocupação da Syngenta seis seguranças particulares foram rendidos e as suas armas apreendidas pelos sem-terra. Eles também declararam que o grupo foi liberado logo depois da ocupação "pacífica" da propriedade.   Sobre o confronto, os sem-terra disseram que entre 30 a 40 seguranças vieram em carros e microônibus, desceram e começaram a atirar contra os sem-terra, que estavam abrigados na guarita na entrada da fazenda. Versão negada pelo dono da empresa NF Segurança, Nerci Freitas. Segundo a polícia, Celso e Célia não deram muitos detalhes sobre o tiroteio que resultou na morte do líder do MST, Valmir da Motta de Oliveira e do segurança, Fábio Ferreira.   Até esta quarta-feira, 24,  23 pessoas foram ouvidas no inquérito. "Ainda não temos os responsáveis pelos homicídios", disse o delegado da Polícia Civil, Amadeu Trevisan. Sete seguranças particulares continuam presos em Cascavel por homicídio, formação de quadrilha, lesões corporais e tentativa de homicídio. Nenhum sem-terra, até agora, foi preso. O proprietário da NF Segurança foi indiciado no inquérito pelos mesmos crimes.   Proteção   A advogada do MST e o coordenador executivo da organização Terra de Direitos, Darci Frigo, protocolaram pela manhã (23), na 15ª Subdivisão Policial (SDP), de Cascavel, a proteção policial aos integrantes, Celso e Célia, que prestaram depoimentos hoje. "Trata-se de uma medida preventiva porque eles (Celso e Célia) vêm sendo ameaçados de morte desde o ano passado", disse Frigo.   Eles também protocolaram um pedido de prisão contra o presidente da Sociedade Rural do Oeste (SRO), Alessandro Meneghel, e o dono da NF Segurança. "O pedido está embasado no histórico de perseguição e práticas contra os trabalhadores rurais", afirmou Frigo. O advogado da NF Segurança, Helio Hideria Junior, acompanhou a solicitação do MST e posicionou-se sobre os pedidos. "Se tem alguém que precisa de escolta e proteção, é os seguranças", disse. Já Meneghel ignorou o pedido de prisão contra ele.

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