Sem-terra planejam ações durante encontro do BID em Minas

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Minas Gerais prepara uma série de ações no Estado a partir da segunda quinzena deste mês, como parte da chamada jornada de lutas empreendida no País. As principais manifestações estão reservadas para o início de abril, durante a realização, em Belo Horizonte, da 47ª reunião anual da Assembléia de Governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da 21ª reunião anual da Assembléia de Governadores da Corporação Interamericana de Investimentos (CII). Durante os eventos simultâneos na capital mineira são esperados cerca de sete mil participantes, entre eles chefes de estados, ministros, banqueiros e empresários. "Temos de fazer um contraponto à essas políticas neoliberais representadas por organismos como o BID e o Bird (Banco Mundial)", disse, nesta sexta-feira, Vanderlei Martini, da direção regional e nacional do MST.Mais manifestaçõesUma marcha organizada pela Via Campesina no Estado com representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e MST sairá no dia 27 de Ponte Nova, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, e deverá chegar à capital no dia 1º. No dia 04, o MST promoverá a instalação de um tribunal simbólico "contra os crimes do latifúndio" para lembrar episódios como a chacina de Felisburgo (MG) e os dez anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. "Vamos julgar o braço armado do latifúndio", disse o coordenador estadual do movimento, Mauro Lemes.De acordo com Martini, durante os encontros internacionais, o MST promete atividades paralelas para protestar também contra "a lentidão da reforma agrária no País" e cobrar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a "mudança do modelo econômico".Os líderes sem-terra adiantam que haverá manifestações contra as plantações de eucalipto no Estado. "Vamos discutir isso também. Achamos que a questão da monocultura do eucalipto é um grande problema porque degrada a natureza", observou Lemes.Os representantes do MST negociam com a prefeitura de Belo Horizonte a cessão de um espaço público para o acampamento dos militantes durante a reunião do BID. Martini disse ainda que, nos próximos dias, o movimento deverá realizar pelo menos quatro novas invasões em Minas.

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