Sem-terra paralisam plantio de cana no Mato Grosso do Sul

Uma demonstração de força de quase mil sem-terra voltou a paralisar o plantio de cana na Fazenda Macaco, situada no município de Angélica, no Mato Grosso do Sul, região sul do Estado. Homens e mulheres armados com ferramentas agrícolas, principalmente foices e facões impedem há seis dias o trabalho no local.A manifestação atraiu a atenção dos vizinhos e a Polícia Militar esteve no local. O comandante da PM em Angélica, tenente Flávio Tamba, tentou garantir o trabalho dos empregados, mas não conseguiu. Ele alertou os manifestantes sobre o prazo para uma negociação pacífica, que vence nesta terça-feira, dia 24. "Vamos entrar com força policial", disse, confessando mais tarde que para tanto aguarda reforço de Campo Grande.São famílias ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) e da FAF (Federação da Agricultura Familiar). O superintendente regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Luiz Carlos Bonelli, prometeu comprar a área e integrá-la ao Programa Nacional de Reforma Agrária. Porém não há acordo entre os herdeiros e o imóvel continua arrendado para o produtor Kenedy William que, segundo garantiu, está sofrendo grandes prejuízos com a invasão.Em Rio Brilhante, leste do MS, a situação não é diferente. Sem-terra apoiados pela Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), tiveram o mesmo procedimento de Bonelli, sobre a aquisição da Fazenda Chifre de Veado. O proprietário, Nestor Ivo Bocchi, dono da Bocchi Administradora de Bens Ltda, desistiu da negociação. No último dia 7, um grupo de 800 sem-terra invadiu o imóvel e está mantendo a disposição de resistir a qualquer tentativa de despejo.Marcos Antônio de Lima, gerente da Fazenda Chifre de Veado, esteve várias vezes na Delegacia de Polícia Civil de Rio Brilhante, registrando queixas sobre uma parte do pasto que foi arada e está sendo plantada pelos sem-terra. Ele denunciou também que estão abatendo bois para fazer churrasco. A fazenda possui rebanho de 1.300 cabeças.

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