Sem-terra ocupam sede do Incra em Fortaleza

Mil e duzentos trabalhadores sem-terra ocuparam, na manhã desta segunda-feira, a sede do Instituto Nacional de Colonização Reforma Agrária (Incra), em Fortaleza. Sem prazo para deixar o prédio, eles exigem o cumprimento do plano nacional de reforma agrária, a desapropriação de 27 acampamentos cearenses, a renegociação das dívidas e a liberação de obras de infra-estrutura para os assentamentos. O ato faz parte da Jornada Nacional de Luta puxada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).A direção do movimento entregou, à tarde, a pauta de reivindicações para a superintendência estadual do Incra. Já está marcada também para esta semana, em Recife, uma reunião para discutir a situação do MST no Nordeste.De acordo com Gene Santos, da coordenação do MST no Ceará, é preciso renegociar a dívida com os assentados porque estes são bons pagadores. "Nosso índice de inadimplência é de apenas 2% contra 90% dos fazendeiros", argumentou o líder sem-terra.O MST também reivindica mudança no índice de produtividade para a desapropriação. Segundo Santos, hoje, no Ceará, o módulo fiscal é de 80 hectares. "Esse valor é de 1963 e precisa ser atualizado", cobra o líder sem-terra, acrescentando que o movimento não discutiu de quanto deveria ser o novo índice.Solidário à greve dos servidores do instituto, Santos também lembrou a necessidade para que o governo federal reestruture e contrate novos funcionários para o Incra. "Só assim teremos mais agilidade nessa questão", comentou. "É verdade que com o governo Lula, a reforma agrária avançou, mas ainda não é o suficiente. Queremos mais", disse Santos. Segundo ele, no Ceará, no ano passado, estava previsto o assentamento de duas mil famílias, mas apenas 160 foram contempladas.

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