Sem-terra ocupam sede do Incra em Cuiabá

Mais de 300 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Assentados e Acampados (MTA) reocuparam hoje a sede do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cuiabá. É a terceira invasão promovida pelo mesmo grupo - dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) - em menos de dez dias. A primeira invasão foi no dia 2. Três dias depois o prédio foi desocupado. Na última sexta-feira cerca de 850 famílias ocuparam a superintendência. O MTA propõe a desapropriação de 17 fazendas improdutivas no Estado, que, juntas, somam 40 mil hectares. As terras, segundo os líderes do movimento, seriam suficientes para assentar 1.400 famílias nos municípios de Barra do Bugres, Campo Verde e Pedra Preta. O líder do MTA, José Oliveira, informou que a invasão foi a única forma que encontrou para tentar buscar uma posição do órgão. Hoje à tarde os trabalhadores fizeram uma passeata até a Assembléia Legislativa para pedir apoio aos deputados e chamar a atenção para os problemas reforma agrária em Mato Grosso. MST A invasão foi criticada por lideranças estaduais do MST. Há uma semana, o movimento montou acampamento em frente ao prédio com 500 trabalhadores, mas descartou a invasão. "Queremos negociar sem invadir prédio público", disse Mizael Barreto, um dos líderes estaduais. Segundo ele, a invasão vai prejudicar as negociações. O MST reivindica emissão de títulos de posse, desapropriações e vistoria em dez propriedades nas regiões sul e oeste do Estado para assentar 2.500 famílias. "Estamos cansados de esperar", disse José Oliveira. Segundo ele, com o impasse nas negociações, as famílias já estão passando necessidade, pois precisam de uma posição do órgão para plantar. Com o impasse, toda colheita deste ano está comprometida. "Não vamos plantar enquanto não tivermos uma posição que garanta pelo menos um período que possamos ficar na terra", afirmou. Mesmo sem negociações, os líderes do movimento asseguraram que vão permanecer mo Incra. Os trabalhadores estão recebendo doações de alimentos e roupas de partidos políticos, igrejas e associações de bairros. As refeições estão sendo preparadas na cozinha do Incra. A reportagem não conseguiu localizar o superintendente Petros Emily Abi Abib para comentar o assunto. Na semana passada ele informou que o órgão não tem verbas para cobrir os custos das vistorias. Segundo ele, não há possibilidade de o Incra atender de imediato todas as reivindicações dos sem-terra.

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