Sem-terra ocupam fazenda com plantio de cana em Ribeirão Preto

Um grupo formado por cerca de 300 pessoas (entre 100 e 150 famílias), militantes do MST, ocupou, desde as 6 horas deste sábado, a fazenda Santa Maria, em Ribeirão Preto, no interior paulista. A área, segundo um dos coordenadores estaduais do MST, Edivar Lavratti, é penhorada pelo Banco do Brasil. Os sem-terra derrubaram parte do plantio de cana-de-açúcar para montar o acampamento.A ocupação é por tempo indeterminado. O MST quer que a fazenda seja destinada à reforma agrária. A Polícia Militar esteve no local e acompanhou a movimentação dos sem-terra.A área ocupada fica ao lado da rodovia Abrão Assed, que liga Ribeirão Preto a Serrana, do outro lado da pista onde estão instados o Centro de Detenção Provisória (CDP) e a Penitenciária de Ribeirão Preto.Segundo Lavratti, a fazenda tem 1,2 mil hectares e pertenceria a um usineiro da região. "A dívida com o banco é de R$ 20 milhões, desde 1997, sem contar os juros", disse Lavratti sobre a penhora. O MST estima que esse valor esteja dobrado atualmente.Desde 1977 a fazenda estaria sendo hipotecada, com quatro processos em execução no BB, correndo em segredo de Justiça. Segundo o MST, um juiz determinou, em 1997, a penhora de 205 hectares da área, que tem o BB como fiel depositário.O arrendatário da área esteve no local, conversou com os sem-terra, mas não teve conflito. Lavratti espera que negociações com o BB comecem já na segunda-feira e que a fazenda seja destinada à reforma agrária.A fazenda Santa Maria é cortada por três rios, que estariam contaminados e assoreados pelo cultivo de cana-de-açúcar, além de áreas de preservação ambiental permanente degradadas, segundo o MST.

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