Sem-terra morre em reintegração de posse no RS

MST acusa Brigada Militar de ter atirado nas costas de militante com espingarda calibre 12

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

O militante Elton Brum da Silva, de 44 anos, morreu ontem durante conflito entre integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e soldados da Brigada Militar, em São Gabriel, no sudoeste do Rio Grande do Sul. Ele foi atingido nas costas por um tiro de espingarda calibre 12. Outros nove sem-terra e seis policiais militares ficaram feridos, mas sem gravidade.O confronto ocorreu ao amanhecer, em um acampamento montado no dia 12, dentro de uma área da Fazenda Southall. A Brigada Militar reuniu cerca de 300 soldados para executar o mandado de reintegração de posse, emitido pela Justiça na semana passada. O prazo para a desocupação foi encerrado no sábado, mas os cerca de 270 sem-terra manifestavam disposição de ficar no local. A Brigada Militar cercou o acampamento e levou junto um caminhão de bombeiros, uma ambulância, conselheiros tutelares e uma representante do Ministério Público, a promotora Lisiane da Fonseca.Os policiais usaram uma retroescavadeira e um trator para abrir caminho na barricada formada por galhos secos e uma pequena trincheira cavada em círculo em torno das barracas. Em meio à operação houve um confronto, durante o qual o tiro foi disparado. As circunstâncias em que Silva foi atingido não estavam esclarecidas até o fim da tarde de ontem, quando a Polícia Civil de São Gabriel começou a ouvir depoimentos.O coronel Hildebrando Sanfelice, chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, disse que a tropa avançou enfrentando foices, paus e pedras. Além das armas não-letais, alguns soldados portavam revólveres e espingardas carregados. Segundo a versão da corporação, os policiais avistaram um ferido caído ao chão e prestaram socorro, levando-o a uma ambulância, que seguiu para a Santa Casa de Caridade de São Gabriel, a 22 quilômetros dali. O conflito acabou em pouco menos de cinco minutos. Os sem-terra foram divididos em grupos de 20 a 25 pessoas, que passaram a ser identificadas. No fim da manhã, a notícia da morte de Silva surpreendeu policiais e sem-terra que permaneciam no acampamento. Segundo Sanfelice, todas as armas longas portadas pelos soldados foram recolhidas para perícia.O oficial admitiu que "é quase certo" que o disparo tenha partido de um policial militar e confirmou que nenhuma arma de fogo foi encontrada com os invasores. Além do inquérito da Polícia Civil, a Brigada Militar vai investigar qual foi a arma usada e quem foi o autor do disparo.RIGORO MST divulgou nota qualificando a ação da Brigada Militar de "truculenta e violenta" e sustentou que o assassinato, com tiro pelas costas, ocorreu quando a situação já estava controlada. O movimento também responsabilizou a governadora Yeda Crusius (PSDB). Ela disse que a morte do sem-terra deve ser apurada com rigor e de maneira aberta.

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