Sem-terra lançam "nova jornada de luta"

O Movimento dos Sem-Terra (MST) inicia a partir da próxima semana uma onda de protestos que pode tornar-se - segundo os seus líderes - uma repetição do "abril vermelho", movimento que culminou com 109 invasões de propriedades rurais em várias regiões do País naquele mês. A "nova jornada de luta pela reforma agrária" prevê ocupações, marchas e atos de protestos em todo o País a partir da segunda quinzena de julho, mas já dá para sentir seu início pelo aumento das ocupações de terra registradas nos últimos dias, segundo Lourival Plácido de Paula, da direção do MST em São Paulo. É possível, segundo ele, que o movimento tenha um número de ocupações maior do que o registrado em abril - até agora o maior em 2004. Com a CUT Além do MST, a "nova jornada de luta" contará com a participação de outras entidades que defendem os interesses dos sem-terra, como a CUT Rural (braço da central formado por sindicatos de trabalhadores rurais), que deverá organizar um ato de protesto - possivelmente uma ocupação de prédio público - na capital paulista, na semana que vem. Este ato deverá dar início ao movimento no Estado de São Paulo. O ponto alto deve ocorrer durante a Romaria da Terra, ato organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que espera reunir entre 4 mil e 5 mil participantes em 25 de julho, na cidade de Registro (SP). Outros atos e invasões estão programados para as regiões de Araraquara, Andradina e no Pontal do Paranapanema, no interior de São Paulo. "Esta jornada surgiu devido à insatisfação dos acampados, que não agüentam mais esperar pelas ações do governo e decidiram lutar para superar as dificuldades que encontram para negociar a reforma agrária", declarou Lourival. Segundo ele, a iniciativa partiu das bases dos acampamentos, que querem cobrar do poder público uma ação mais consistente para o assentamento das famílias de sem-terra. No primeiro semestre de 2004, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assentou menos famílias do que havia prometido. Outro objetivo da ação, de acordo com o representante do MST, é lutar pela agricultura familiar e criticar o governo federal pela opção ao agronegócio, chamado por ele de "agricultura patronal". "O agronegócio é o velho Brasil exportador e patronal, concentrador de renda, que o atual governo resolveu privilegiar. Basta vermos que o agronegócio ficará com R$ 30 bilhões e a agricultura familiar com R$ 7 bilhões para o custeio da safra", declarou. PrazoDe acordo com Paula, a jornada não tem prazo para terminar e é possível que se estenda até agosto, quando está programado um grande encontro entre as entidades organizadoras para discutir um "Novo Modelo de Desenvolvimento para o Campo".

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