Sem-terra invadem sede da Petrobrás no Rio

Ato foi em protesto contra a 10.ª Rodada de Licitações de áreas exploratórias

Kelly Lima, Nicola Pamplona e Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

18 de dezembro de 2008 | 00h00

Portando faixas com os dizeres "o petróleo é nosso" e espalhando adesivos do Movimento dos Sem-Terra (MST) pelas paredes, cerca de 150 pessoas ocuparam ontem o salão de entrada do edifício-sede da Petrobrás, no Rio. Protestavam contra a realização da 10ª Rodada de Licitações de áreas exploratórias de petróleo e gás natural, que deve ser realizada a partir de hoje pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).Os manifestantes, vestindo camisetas vermelhas, passaram o dia no local, anunciando que montariam uma vigília no local, só devendo sair após o cancelamento da rodada. No início da noite, porém, o juiz Leonardo de Castro Gomes, da 17ª Vara Cível do Rio, determinou que deixassem o edifício, pois estavam atrapalhando as atividades da estatal. Eles saíram pacificamente. Segundo o diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Francisco Soriano, o objetivo principal do ato seria proteger as riquezas brasileiras: "O governo já entregou muito de nossas reservas para estrangeiros a preço de banana."O ato teve o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do MST, sindicatos, entidades estudantis e outras organizações que integram a chamada campanha O Petróleo Tem Que Ser Nosso. A direção da Petrobrás não recebeu os manifestantes e observou que a responsabilidade pelo leilão cabe à ANP. Para garantir o acesso dos funcionários à sede, a direção desviou o tráfego para os elevadores ao fundo do prédio. Ao mesmo tempo, policiais militares foram chamados para impedir a invasão de outras áreas do edifício.O 10.º Leilão, com 130 áreas em bacias terrestres, teve 47 empresas inscritas, sendo que 17 são estrangeiras.Destacavam-se no protesto os representantes do MST, organização cujo leque de ações se expande cada vez mais. Neste ano, seus militantes já partiparam de protestos contra a reunião do G-20 e contra o banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção. Também já invadiram agências bancárias, paralisaram linhas de trens, bloquearam postos de cobrança de pedágio em rodovias e ocuparam instalações de usinas hidrelétricas.

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