Sem-terra invadem nova área em Tremembé (SP)

Por determinação da Justiça, 180 famílias integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) desocuparam a fazenda Coru Mirim, em Tremembé, no Vale do Paraíba e invadiram uma outra área. Por volta das 2h30 da madrugada de hoje os sem-terra, orientados pelo Comando da Polícia Militar, deixaram a Coru Mirim e ocuparam a fazenda Dom Pepe, também em Tremembé. Às 6 horas da manhã, policiais militares chegaram à área para cumprir a liminar de reintegração de posse mas encontraram a propriedade vazia. A área foi vistoriada pelos proprietários, em companhia dos policiais. Segundo o advogado da empresa Walor Sociedade Civil, proprietária da Coru Mirim, Ady Ciocci, os sem-terra deixaram restos de material dos barracos, pertences e muita sujeira. "A fazenda ficou um desastre. Houve matança de gado e as víceras foram jogadas no lago da fazenda". O advogado afirmou que vai promover duas outras ações para manter a posse da fazenda e impedir nova entrada dos sem-terra. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do Estado de São Paulo, Narciso da Rocha Clara, acompanhou a reintegração de posse Coru Mirim. Nesta semana, ele protocolou um pedido na Justiça para que os integrantes do MST, incluindo o líder Valdemir Nascimento, fossem presos por terem furtado gado e madeira da fazenda Coru Mirim. O pedido foi aceito pela Justiça, mas a ordem não foi cumprida."Eles deveriam ter sido presos dentro da fazenda Coru Mirim, mas fugiram e ocuparam outra área. Eles estão desrespeitando a Justiça e a própria Polícia Militar", disse o ruralista. O sindicalista afirmou que fará novo pedido à Justiça de prisão dos integrantes sem-terra por terem invadido área produtiva.A distância entre as fazendas Coru Mirim e Dom Pepe é de cerca de 25 quilômetros, trajeto que os sem-terra fizeram a pé e com a ajuda de alguns veículos. O proprietário da fazenda, conhecida como antiga Granja Piloto, Alexandre Henrique Rodrigues, informou que depois de receber denúncias de que sua propriedade estava sendo visada pelo MST protocolou na Justiça uma liminar para impedir a entrada dos sem-terra. A medida cautelar foi negada pela Justiça. "Eu acredito que eles tenham de ter uma terra, mas não a minha, que é altamente produtiva". Segundo Rodrigues, na área de 120 hectares, funcionam três portos de areia regulares e uma confecção, além de plantação de arroz e criação de gado e cavalos. "Estou procurando a juíza e até segunda-feira vamos pedir a reintegração imediata da área", afirmou o proprietário.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.