Sem-terra invadem Incra e expulsam policiais

700 militantes ligados à Fetraf resistem à ordem de desocupação da sede em Brasília

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

A Justiça Federal determinou ontem a reintegração de posse da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), invadida desde as 6 horas por cerca de 700 sem-terra ligados à Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), da região do entorno de Brasília. Os invasores expulsaram os policiais que foram ler a ordem de desocupação e gritaram palavras de ordem de resistência, enquanto dirigentes do movimento, com auxílio de parlamentares aliados, entraram com pedido de liminar contra a ordem judicial. É a quarta vez que o mesmo grupo invade a sede do Incra desde 2003.O prédio foi cercado por policiais federais e da PM, auxiliados por helicópteros. A situação só se acalmou pouco depois das 19 horas, com a intermediação do deputado Pedro Wilson (PT-GO), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que prometeu reabrir um canal de negociações com o governo. Mais tarde, o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, obteve um acordo com invasores, que se comprometeram a desocupar o local hoje pela manhã. Os sem-terra reivindicam áreas para assentar cerca de mil famílias acampadas na região, além de infraestrutura e assistência técnica para assentamentos.?CHATEADO?As negociações com o grupo, que se arrastavam havia uma semana, chegaram a ser encerradas pela manhã pelo presidente do Incra, Rolf Hackbart, em resposta à invasão. "Estou muito chateado, pois não há razão para a ocupação, um gesto de violência que prejudica o conjunto dos trabalhadores do campo, pois paralisa as ações de reforma agrária", afirmou.O comando nacional da Fetraf, que veio a Brasília em auxílio ao grupo regional, também resolveu radicalizar e recusou a contraproposta da direção do Incra, que condicionava a reabertura do diálogo à desocupação do prédio.O grupo que invadiu a sede do Incra é uma conhecida dissidência do MST que inferniza as autoridades desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Depois de acampar várias vezes na frente da fazenda do ex-presidente, em Buritis (MG), em 2002 integrantes do grupo invadiram a casa sede, deitaram na cama de casal, comeram à vontade e promoveram uma noitada de forró na sala da casa, regada a vinhos da adega.

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