Sem-terra invadem fazenda no norte de Minas

Cerca de 200 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permaneciam até o final da tarde desta quinta-feira acampadas na Fazenda Caatinga, em São Francisco, no norte de Minas Gerais, invadida nesta quarta. Segundo a Polícia Militar do município, os sem-terra ocuparam a propriedade durante a madrugada desta quarta, expulsaram os mais de 20 funcionários da propriedade e invadiram a sede da fazenda.De acordo com os policiais, os invasores teriam ainda incendiado benfeitorias, queimado sementes e matado animais da propriedade para fazer churrasco. Dois cães da raça rottweiler, pertencentes ao administrador da fazenda, também teriam sido mortos. A PM informou, contudo, que o clima na região era tranqüilo.O juiz Richardson Brant Xavier expediu uma liminar de reintegração de posse, mas os policiais militares disseram que não a receberam até o final da tarde desta quinta. A Justiça já havia concedido reintegração de posse para os donos da fazenda em maio deste ano.O Instituto da Terra de Minas Gerais (Iter-MG), no entanto, disse que a liminar será julgada pela Vara Agrária, sediada em Belo Horizonte. Segundo o presidente do Iter-MG, Marcelo Resende, a orientação do governador Itamar Franco (sem partido) é para que a PM aguarde a decisão do juiz titular da Vara Agrária, Cássio Salomé, para agir. Enquanto isso, não irá cumprir a ação de despejo. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Minas informou que a região é de responsabilidade do Iter-MG.De acordo com Resende, um levantamento feito há cerca de um mês pelo instituto revelou que a Fazenda Caatinga é "parcialmente uma terra, presumivelmente, devoluta". A propriedade, de acordo com o levantamento, tem 2.358 hectares registrados.A primeira invasão da fazenda ocorreu em outubro do ano passado. Os sem-terra acamparam, depois, nas proximidades da propriedade. Há seis meses, ocuparam novamente a fazenda e só saíram após ordem judicial. Somente nesta semana foram duas invasões.Segundo a PM, além das 120 famílias que já estavam acampadas no local, juntaram-se ao grupo aproximadamente 100 famílias do movimento, vindas de Buritis, no noroeste de Minas, e outras regiões.De acordo com o capitão da PM, Francisco Nunes, as negociações estão sendo feitas com o líder do grupo, Jorge Augusto Xavier. "Ficou decidido que eles permanecerão na sede da fazenda até que representantes do Incra e do Instituto da Terra compareçam ao local para negociar."

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