Sem-terra invadem fazenda do irmão de Renan Calheiros

Cerca de 400 famílias protestam na Fazenda Boa Vista, em Murici, cidade governada pelo filho do senador

Ricardo Rodrigues, do Estadão,

24 de julho de 2007 | 20h14

Cerca de 400 famílias de trabalhadores rurais sem-terra, ligados aos quatro movimentos sociais do campo que atuam em Alagoas - MST, CPT, MLST e MTL - ocuparam nesta terça-feira, 25, a Fazenda Boa Vista, em Murici, a 59 quilômetros de Maceió. A área pertence ao deputado Olavo Calheiros, irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).   Veja também:   PF ainda não conta prazo para entrega de laudo no caso Renan Cronologia do caso Renan   Os manifestantes escolheram Murici para realizar outros protestos nesta quarta-feira, em comemoração ao Dia do Trabalhador Rural porque, segundo lideranças, é lá onde Renan tem fazendas e a cidade tem como prefeito o filho do presidente do Senado. O senador responde a processo no Conselho de Ética por quebra de decoro. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista e há dois meses tenta provar, sem sucesso, que a venda de gado é responsável por rendimentos que chegam a R$ 1,9 milhão, em quatro anos.   Segundo o coordenador da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT), Carlos Lima, o objetivo do ato é mostrar à sociedade alagoana as ações criminosas, a grilagem de terras, a miséria, a injustiça e o abuso de poder causado pelas oligarquias do Estado. "Murici foi escolhida para ser o palco dos protestos porque ganhou fama de ter o gado mais produtivo do país, o gado do senador Renan Calheiros, que tem uma produtividade recorde de 60%, enquanto a grande maioria do povo do município passa fome", argumentou Carlos Lima.   Segundo ele, os movimentos sociais vão aproveitar a manifestação para denunciar políticos, como o deputado federal Olavo Calheiros (PMDB), acusado de envolvimento com grilagem de terras na região da Zona da Mata. "Queremos mostrar à sociedade que políticos como os irmãos Calheiros impedem a efetivação da reforma agrária em nosso Estado, porque são contra a distribuição de terra e de renda para mais de 12 mil famílias acampadas em Alagoas", concluiu o coordenador da CPT.   Será realizado na cidade um ato público e uma passeata contra grilagem de terras e a violência no campo. A manifestação contra com o apoio de sindicalistas e estudantes.

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