Sem-terra invadem fazenda cedida ao Exército

A fazenda Ideal, a 18 km de Marabá, no sudeste do Pará, foi invadida hoje por 600 famílias de agricultores ligadas ao MST. Eles afirmam que a fazenda é improdutiva e avisaram que não pretendem sair. O proprietário da área de 1.583 hectares, o suplente de deputado federal Olávio Rocha (PSDB), informou ter acionado seus advogados para ingressarem com uma ação de reintegração de posse na Justiça."Essa invasão é um desrespeito à lei, que garante o direito à propriedade. Esta fazenda é produtiva", afirmou Rocha. Segundo ele, além de criação de gado, uma parte da área de preservação, cerca de 900 hectares, foi cedida para a 23ª Brigada de Infantaria de Selva, do Exército, para treinamento.O sem-terra Antonio Pereira da Silva afirma que a fazenda sempre esteve abandonada e a única produção no local é de capim. De acordo com informações da Polícia Militar de Marabá, os invasores chegaram em seis ônibus e três caminhões fretados na região.O líder do MST no sul do Pará, Francisco Moura, culpa o Incra pelos milhares de trabalhadores sem-terra que perambulam pela região em busca de trabalho e de um pedaço de chão para viver. "Há muito tempo que pedimos a desapropriação da área, mas o Incra até hoje nada fez", critica.As famílias que ocupam a fazenda Ideal são dos municípios de São Domingos do Araguaia, Marabá, Rondon do Pará e São João do Araguaia. "É gente que nunca foi contemplada pela reforma agrária", disse Moura. Em Marabá, não havia ninguém da direção do Incra para falar sobre a invasão. O superintendente, Darwin Boerner, segundo sua assessoria, está viajando e seu substituto, José de Arimatéia Mendonça Dionísio, estaria fora da cidade e não havia previsão de retorno à sede do órgão.

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