Sem-terra invadem e queimam cinco fazendas no Pará

Movimento admite ter montado acampamentos, mas alega que as famílias precisam da terra para morar e plantar

Carlos Mendes, de O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2008 | 17h23

O Movimento Terra, Liberdade e Trabalho (MLT) já incendiou cinco das dez fazendas que invadiu com suas 700 famílias entre os municípios de Ulianópolis e Paragominas, no leste do Pará, segundo denúncia de fazendeiros da região. O MLT admite ter montado acampamentos dentro das propriedades, mas alega que as famílias precisam da terra para morar e plantar.  "Como as autoridades do Pará nada fazem para garantir o nosso direito de propriedade vamos ter de expulsar esse pessoal à bala", promete o capataz de fazenda José Benedito dos Santos. Ele próprio se diz "jurado de morte" pelos sem terra. A maioria dos fazendeiros tem sido procurada por pistoleiros que oferecem seus serviços para retirar "na marra" os invasores. Um deles chegou a pedir R$ 500 por cada família que conseguir expulsar. O pecuarista Camillo Uliana, dono de onze fazendas em Ulianópolis e Paragominas, se queixa que os sem terra já destruíram e atearam fogo no pasto de suas seis propriedades. As terras dele foram as primeiras invadidas pelo MLT. Na fazenda Artur Reis, segundo o gerente Francisco Soares de Melo, o estrago é enorme. "O fogo já destruiu toda a reserva legal e continua avançando sobre os 550 hectares da fazenda", informou Melo, acusando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de nada fazer para punir os crimes ambientais praticados pelos invasores. Melo não conseguiu fazer o registro policial do incêndio na fazenda porque na delegacia de Ulianópolis não havia delegado ou escrivão. Ele ficou revoltado: "o fogo está incontrolável, já destruiu pontes, cercas e um pomar. As abelhas acabaram e a caça desapareceu. Encontramos quinze cotias e tatus mortos, sufocados pela fumaça e pelo fogo". O MLT promete continuar nas fazendas e cobra dos órgãos fundiários a desapropriação de todas para transformá-las em assentamento. "A maioria dessas terras é grilada e os fazendeiros não têm como comprovar a propriedade", afirma o movimento. (FIM)

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