Sem-terra invadem e interditam Porto de Maceió

Cerca de 500 trabalhadores rurais sem-terra ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) ocuparam na manhã desta terça-feira o Porto de Maceió, no bairro de Jaraguá. Eles chegaram ao local vindos em passeata da Praça Sinimbu, onde estão acampados em barracas de plástico desde a última segunda-feira. Segundo o coordenador da CPT em Alagoas, Carlos Lima, a ocupação foi pacífica e não encontrou resistência dos vigilantes do porto. Os manifestantes chegaram por volta das 19 horas e mantiveram a ocupação até as 10h30. O diretor do Porto de Maceió, Domício Silva, disse que o prejuízo geral era incalculável. "Somente cinco navios que estavam atracados para o carregamento de açúcar e cimento tiveram juntos um prejuízo estimado em 60 mil dólares", afirmou Silva. Segundo ele, só após fazer uma análise mais apurada das horas paradas poderia divulgar um balanço mais preciso dos prejuízos. Os manifestantes protestam contra a política do governo federal para a produção de biodiesel, o cultivo de produtos transgênicos, o crescimento do agronegócio no Estado e pressionam o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Alagoas (Incra) a dar mais agilidade nos processos de reforma agrária. "Somos contra a expansão do agronegócio no País e não podemos deixar que os processos de reforma agrária continuem paralisados, com os processos engavetados no Incra", explicou Lima, acrescentando que são mais de 20 mil famílias vivendo em acampamentos, lutando por terra em Alagoas. Os trabalhadores ficaram concentrados na entrada do porto e impediram a entrada e saída de veículos. Uma longa fila de caminhões e carretas se formou no local e a movimentação só voltou ao normal no final da tarde. A maioria dos veículos transportavam açúcar, álcool, cimento e trigo. Uma equipe de oficiais do Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar de Alagoas esteve no local e conseguiu convencer os sem-terra a desocupar o porto antes do meio-dia. Os sem-terra estavam com bandeiras e faixas. Durante o protesto não foi registrado nenhum incidente. Esta foi a segunda vez que sem-terra invadiram e interditaram a entrada do porto de Maceió. No ano passado, eles invadiram no início da manhã e só desocuparam à noite. À tarde, integrantes da CPU e do MST participaram de uma passeata pelas ruas do Centro. Eles protestavam contra a falta de segurança na cidade e no campo. Durante a passeata, os manifestantes pararam em frente ao quartel geral da PM e se solidarizaram com os militares que se aquartelaram no final de semana passado, reivindicando um reajuste de 88,55%. Também à tarde, outras lideranças do movimento tiveram nova reunião na superintendência do Incra em Alagoas. Na pauta, além da agilidade das desapropriações, as lideranças cobraram cestas básicas e punição para os assassinos de sem-terra. Texto ampliado às 21h54

Agencia Estado,

24 Abril 2007 | 13h41

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