Sem-Terra invadem duas fazendas no Paraná

Em nota, o movimento disse que o objetivo é pressionar o governo federal para realizar a reforma agrária

Evandro Fadel, do Estadão

03 de setembro de 2007 | 18h15

Aproximadamente 1,6 mil integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), número divulgado pelo movimento, invadiram duas fazendas no Paraná, na madrugada de sábado. No município de Rio Branco do Ivaí, na região central do Estado, mil pessoas invadiram a Fazenda Mestiça, enquanto em Cornélio Procópio, no norte, o alvo de 600 sem-terra foi a Fazenda Santa Alice. Em uma nota, o movimento disse que o objetivo é pressionar o governo federal para que realize a reforma agrária. Segundo Flávio Ferreira, funcionário da Fazenda Mestiça, os sem-terra chegaram por volta das 5 horas da manhã. "Uns 30 homens, armados com espingardas e revólveres, arrombaram as portas e renderam todo mundo", afirmou. Nove famílias de funcionários estavam na fazenda. Eles só conseguiram sair às 19 horas, com ordem para que tirassem tudo. Os pertences estão no centro social, que foi cedido pela prefeitura. Alguns funcionários foram para um hotel, enquanto outros estão em casas de familiares e amigos. Maquinários e parte das cerca de 5 mil cabeças de gado ainda eram retirados ontem. "Apesar de não estar na época do abate, os mais gordos vão para o frigorífico, enquanto para os outros vamos alugar pasto", disse Ferreira. Segundo ele, de sábado para domingo, os sem-terra mataram pelo menos 30 bois. Além de gado, a fazenda, de pouco mais de mil alqueires, produz milho, soja, aveia e feijão. No Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não há nenhum processo de compra ou desapropriação da propriedade. Ferreira disse que os advogados entrariam com pedido de reintegração de posse. De acordo com o comandante da 2ª. Companhia da Polícia Militar em Ivaiporã, capitão José Francisco Cardoso, o arrendatário de uma fazenda vizinha comunicou que os sem-terra deram prazo de dez dias para que faça a colheita, porque ela também será invadida. Um dos líderes do MST prometeu ligar para falar sobre a situação na fazenda, mas não o fez.  A Fazenda Santa Alice tem quase o mesmo tamanho da Mestiça. Segundo a Polícia Militar, havia cerca de dez arrendatários na área, onde criavam gado e plantavam milho e trigo. Não houve agressões nem prisões. Como a área já tinha interdito proibitório, um oficial de justiça apresentou-o aos sem-terra, mas foi ignorado. De acordo com a polícia, os sem-terra convidaram os funcionários para engrossarem o movimento, mas eles preferiram deixar o local. O Incra informou que um dos sócios-proprietários da área apresentou oferta de venda em 2005. No entanto, os outros dois não concordaram e, por isso, o instituto não prosseguiu nas conversas, aguardando que haja desmembramento.

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