Sem-terra iniciam marcha em direção a Brasília

Cerca de 200 trabalhadores rurais do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem -Terra (MST)deixaram hoje, por volta das 10 horas, a cidade de Buritis, em Minas Gerais, a caminho de Brasília. A marcha deverá percorrer 230 quilômetros e ainda não há previsão de chegada ao Distrito Federal, o que poderá ocorrer no fim da próxima semana. O objetivo principal da manifestação é a libertação dos 16 dirigentes do MST que foram presos no domingo passado, após ainvasão da fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, em Buritis.Hoje, antes do início da marcha, os integrantes do MST participaram de um ato ecumênico em celebração à Sexta-Feira Santa. Outro ato foi realizado em Brasília, em frente à Superintendência da Polícia Federal, onde estão detidos os 16 dirigentes acusados de liderar a invasão. Os manifestantes fizeram orações e cantaram de mãos dadas.A programação das manifestações em Brasília, segundo a assessoria de imprensa do MST, será decidida durante a marcha, que conta com a participação de líderes importantes do Movimento como João Paulo Rodrigues, um dos coordenadores nacionais do MST. Também fazem parte do grupo que se dirige a Brasília familiares dos líderes presos.A expectativa é de que os sem-terra cheguem no domingo ou na segunda-feira à cidade de Cabeceira de Goiás, na divisa do Estado de Minas Gerais. Ali, eles deverão encontrar-se com outros trabalhadores vindos de Minas Gerais, Goiás e Pontal do Parapanema, São Paulo. "A idéia é que nossos líderes sejam libertados antes da nossa chegada, mas se isso não acontecer, vamos acampar em Brasília", anunciou João Paulo Rodrigues, umdia antes do início da marcha.A assessoria jurídica do MST está preparando a terceira tentativa na Justiça para libertar os 16 dirigentes. Segundo a advogada no movimento, Herilda Balduino, ainda não está decididaa forma do recurso que será apresentado. Apesar dos órgãos do Judiciário estarem em recesso, pela Semana Santa, o recurso poderá ser entregue no feriado.Na quinta-feira, a desembargadora Jane Ribeiro da Silva, do Tribunal de Justiça de Minas, negou habeas-corpus aos 16 sem-terra acusados de liderar a invasão à fazenda Córrego da Ponte. Antes, o MST já havia pedido o relaxamento da prisão, que foi negado pela Justiça de Buritis. Uma das opções cogitadas pelo movimento é entrar com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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