Sem-terra fazem uma refém e tentam evitar despejo

Quarenta e cinco famílias resistem a uma ação de despejo no acampamento Lucena, em Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas, a 75 quilômetros de Maceió. O clima do local é tenso. Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Federal continuam no local. Os policiais foram deslocadas para o local depois que a ouvidora agrária estadual, Katiúscia Mendes, foi feita refém, segundo a assessoria de comunicação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária em Alagoas (Incra).Desde a noite de quarta-feira, 30, trabalhadores rurais sem-terra de outros acampamentos se deslocam para a fazenda Lucena em solidariedade aos acampados que decidiram resistir à reintegração de posse, que seria cumprida nesta quinta-feira. Segundo o superintendente do Incra em Alagoas, Gilberto Coutinho, o despejo só não aconteceu porque o ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva, conseguiu a suspensão temporária da reintegração de posse, temendo derramamento de sangue. O prazo dado pela Justiça para uma "desocupação pacífica" termina nesta sexta-feira, 1º, quando está agendada uma reunião entre a superintendência do Incra em Alagoas e a presidência nacional do órgão, para resolver o impasse das terras. "Vamos nos reunir em Brasília com o ouvidor agrário, o juiz que expediu a reintegração, o presidente nacional do Incra e os trabalhadores para resolver a questão da fazenda Lucena. Manteremos o acordo firmado com as famílias e levaremos a questão à Brasília", explicou Coutinho. De acordo com a representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), irmã Cícera, que se encontra no local, as famílias estão dispostas a resistir a qualquer tentativa de despejo, caso as equipes da Polícia Militar e Federal que estão próximas ao local, invadam o acampamento. "Eles estão dispostos a lutar pela terra e por este motivo estão juntando forças com outros companheiros de luta. Eles afirmam que só deixam as terras em caixões", alertou a religiosa, acrescentando que a CPT aguarda uma solução pacífica para o impasse. Segundo o comandante do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas, coronel PM Adilson Bispo, uma equipe está no local para mediar a negociação, mas os trabalhadores estão dispostos a permanecer no acampamento. AcampamentoCom 393 hectares, a fazenda Lucena foi desapropriada em novembro de 2002 e, desde então, as famílias aguardam a emissão de posse. O Incra Alagoas informou que o pagamento do imóvel foi feito em juízo, mas que até hoje o processo se arrasta na Justiça Federal.A CPT denuncia que, neste período de espera, as famílias acampadas sofreram diversos tipos de agressão e perseguição do proprietário da fazenda, como ameaças de morte, encapuzados ateando fogo nos barracos e destruição das roças dos camponeses.

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