Sem-terra fazem jejum contra despejo no Sul

Um grupo de 30 sem-terra iniciou ontem um período de jejum por tempo indeterminado, diante da sede do Ministério Público Federal em Porto Alegre, para protestar contra o que qualifica de "criminalização do movimento social" por procuradores da República, promotores e procuradores de Justiça, juízes e governo do Rio Grande do Sul.Os manifestantes se instalaram na calçada da esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Praça Rui Barbosa ao amanhecer, anunciaram que só vão ingerir água e prometeram ficar no local até a solução dos atuais impasses que o Movimento dos Sem-Terra (MST) enfrenta no Rio Grande do Sul.Alguns representantes do grupo foram recebidos pelo procurador-chefe do Ministério Público Federal no Estado, Antônio Carlos Welter, a quem apresentaram a pauta de reivindicações. Os sem-terra querem que o órgão desista da ação de despejo que moveu contra 400 famílias acampadas dentro de um assentamento em Nova Santa Rita, região metropolitana de Porto Alegre, e exija que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cumpra o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que assinou em 2007 comprometendo-se a assentar duas mil famílias até o fim de 2008. Segundo o MST, apenas 500 famílias receberam seus lotes. "Os acampados só saem de lá (do assentamento) para ir para cima de uma terra ou para baixo da terra", disse a porta-voz dos manifestantes, Micheline Oliveira. A ação de despejo contra os acampados foi movida pelo procurador da República em Canoas Adriano Raldi e conseguiu uma liminar do juiz federal Guilherme Pinho Machado determinando que os acampados saíssem até o dia 24 de abril. Dez dias depois do prazo, os sem-terra permanecem no local e argumentam que a justificativa para o despejo - de que o acampamento está em área de preservação ambiental - é equivocada. Sustentam que os acampados estão em terreno coletivo cedido provisoriamente pelos assentados para não ficarem à beira de estradas. Afirmam, ainda, que o assentamento tem área de preservação ambiental, mas distante de onde foi montado o acampamento. REAÇÃOPor sua assessoria de imprensa, o Ministério Público Federal repudiou as afirmações de que criminaliza o movimento social e reiterou que seus procuradores agem desvinculados de interesses de grupos e entidades. Ressaltou, ainda, que acompanha os desdobramentos do TAC e, desde sua assinatura, o Incra assentou 1.113 famílias e promete assentar mais 726 até o fim do mês. Também confirmou que moveu ação cautelar para esclarecer irregularidades em áreas da reforma agrária em Nova Santa Rita, como arrendamento de áreas para terceiros e presença de acampados em terreno destinado aos assentados.

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