Sem-terra fazem acampamento no interior de SP

Cerca de 50 famílias sem-terra que há três anos estavam vivendo em barracos nas margens da rodovia Roberto Rollemberg (SP-461) decidiram esta madrugada transferir o acampamento para a frente da Prefeitura de Brejo Alegre, município da região de Araçatuba com menos de 3 mil habitantes. Pouco depois da meia-noite as famílias começaram a ocupar a rua Coroados, onde fica a sede da Prefeitura. Os acampados querem que o governo federal desaproprie uma área remanescente de 1,5 mil alqueires da Fazenda São José, onde já existem dois assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com 52 famílias. As terras pertenceriam à Agroimobiliária Avanhandava, empresa rural do espólio de José João Abdalla."Só vamos desocupar a frente da Prefeitura quando o Incra anunciar que vai vistoriar as terras", disse Creuza de Carvalho Costa, 43 anos, líder dos acampados. Um barracão de bambu e lona plástica foi armado em plena rua para abrigar as famílias. A Polícia Militar observa constantemente o local, onde o clima era de calma até esta tarde. Segundo Creuza Costa, as famílias não são ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) nem a qualquer outro movimento organizado de luta pela reforma agrária. "Caminhamos com as nossas próprias pernas", disse ela. O prefeito de Brejo Alegre, Manoel Antônio Leitão (PSDB), esteve no acampamento e prometeu telefonar para a superintendência do Incra amanhã a fim de comunicar a reivindicação das famílias.

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