Sem-terra e pistoleiros se defrontam no sul do PA

Trabalhadores sem-terra e pistoleiros da fazenda Mandasaia, em Rio Maria, no sul do Pará, estão há dois dias entrincheirados na mata, à beira de um confronto armado.A polícia ainda não entrou na área para desarmar os dois grupos, porque teme sofrer uma emboscada. Nos últimos três anos, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), oito pessoas foram assassinadas na luta pela posse da fazenda.O ex-dono do Banco Econômico e ex-ministro da Indústria e Comércio, Angelo Calmon de Sá, proprietário da fazenda, raramente aparece no local, mas seus empregados garantem que a área é produtiva."Eles querem tomar as terras na marra", afirma o empregado Barbosa Filho. Para ele, os homens encapuzados e armados que ameaçam vaqueiros e seguranças não seriam trabalhadores sem-terra, mas "grileiros interessados no gado e na madeira".Lápides sem nomeJosé Armando Oliveira, parente de um dos oito mortos em conflitos anteriores, revelou que, no cemitério municipal de Rio Maria, estão sepultadas sete vítimas da luta pela Mandasaia. "As famílias enterraram e nem querem saber de colocar os nomes na sepultura para evitar mais confusão."Os trabalhadores rurais negam que sejam grileiros e reivindicam a desapropriação imediata da área para que novas mortes sejam evitadas."O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) deveria resolver o problema, que se arrasta há muitos anos", argumenta o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, Carlos Cabral.Direitos humanosEle é marido de Luzia Canuto, premiada no ano passado com a comenda de direitos humanos do governo da França. Luzia é filha de João Canuto e sobrinha de Orlando Canuto, assassinados em 1987 por pistoleiros contratados por fazendeiros da região.Os acusados serão julgados em fevereiro de 2002 pelo Tribunal de Júri, em Belém.

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