Sem-terra do MTL ocupam sede do Incra em Maceió

Trabalhadores exigem cumprimento da meta de assentamentos e afirmam que fazendas são improdutivas

Ricardo Rodrigues, do Estadão,

19 de novembro de 2007 | 20h58

Cerca de 200 trabalhadores rurais ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) ocuparam nesta segunda-feira, 19, a sede do Instituto Nacional e Colonização e Reforma Agrária (Incra), no centro de Maceió. Os sem-terra vieram de 15 assentamentos e áreas ocupadas em Maragogi, Japaratinga, São Luiz do Quitunde e Fleixeiras, municípios do norte do Estado.  Segundo a coordenação do MTL, a ocupação da sede do órgão federal é uma forma de pressionar a direção da instituição a cumprir a pauta de 14 reivindicações da categoria, entre elas a liberação de crédito para os assentamentos e agilidade nos processos de reforma agrária das fazendas ocupadas na região. Até o final da manhã, as lideranças do movimento ainda não tinham conseguido agendar uma reunião com a direção do Incra. A ocupação do Incra se deu de forma simultânea a algumas propriedades no interior do Estado, como as fazendas Caçamba e Pedra de Fogo, em Viçosa, a 96 quilômetros de Maceió.  Os trabalhadores exigem o cumprimento da meta de assentamentos para o Estado e afirmam que as fazendas são improdutivas. As principais reivindicações dos trabalhadores são liberação de crédito para habitação, fomento, instalação e reformas de moradias para os assentamentos, além da garantia de assistência técnica para este ano.  Reunião O superintendente adjunto do Incra em Alagoas, Estevão Oliveira, disse que ocupação é estranha, tendo em vista que houve uma reunião há nove dias com lideranças do MTL. Na reunião, segundo Oliveira, foi apresentada ao Incra uma extensa pauta que tinha, entre as reivindicações, questões como crédito inicial, fomento e habitação, regularização de lotes e assistência técnica. "Todos os pontos da pauta foram respondidos e estão sendo encaminhados. Algumas questões, como de desapropriação de terras do complexo Agrisa-Peixe, ainda estão pendentes porque dependem da Justiça."  O superintendente acrescentou que "outras reivindicações, como a reforma de casas em assentamentos de Maragogi e Atalaia já foram empenhadas. Em São Luiz do Quitunde, os recursos para o mesmo fim já entraram na proposta orçamentária para 2008".  Segundo ele, o Incra também conseguiu a construção de 260 casas no assentamento Onça, em Novo Lino. Até o início da tarde desta segunda, as atividades na sede do Incra em Alagoas estavam parcialmente paralisadas devido à ocupação. Os trabalhadores estão acomodados nos corredores, na entrada e nos fundos do prédio. Alguns também permanecem acampados na Praça Sinimbu, onde fica a sede do Incra. Não há previsão de desocupação.

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