Sem-terra dispostos a enfrentar PM e Justiça

De volta ao Engenho Prado, no município de Tracunhaém, na zona da mata norte, de onde foram despejados com uma megaoperação da Polícia Militar, na quinta-feira, os sem-terra decidiram hoje, em assembléia, que agora só saem do local presos ou mortos. Dispostos a enfrentar a polícia - e também a desafiar a justiça - eles já prepararam suas armas para um eventual confronto: as guiadas, pedaços de pau com ponta afiada. "Mas a nossa maior arma é a determinação de não deixar a terra que já consideramos nossa", afirmou um dos coordenadores do acampamento Chico Mendes 2, que está sendo reconstruído, José Cícero de Melo. Ele disse esperar que a Justiça se pronuncie a favor dos sem-terra, mas se isso não ocorrer, eles não mudarão a estratégia. "Não vamos nos curvar", garantiu André Ventura do Nascimento. Existem duas liminares a serem julgadas no Tribunal de Justiça de Pernambuco, uma da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outra da Usina Teresa, do Grupo João Santos, proprietária do engenho. A primeira quer a permanência dos sem-terra no local, enquanto a segunda pede a revogação de uma liminar concedida pelo desembargador do TJPE, Nélson Santiago Reis, que suspendeu a reintegração de posse determinada pelo juiz de Nazaré da Mata, Carlos Alberto Maranhão de Oliveira. Os recursos poderão ser votados amanhã ou depois de amanhã.

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