Sem-terra destróem canavial durante invasão em SP

Na quarta invasão comandada pelo MST desde sexta-feira na região, os sem-terra usaram ontem tratores eenxadas para destruir a plantação de cana que havia em 60 alqueires da fazenda Primavera, distante a 20 quilômetros deMirandópolis, na região de Araçatuba, em São Paulo.Os sem-terra ocuparam a fazenda, de 1.806 hectares na madrugada de hoje. Ainda no escuro, eles iniciaram a retirada dacana que havia sido plantada há oito dias pela usina de álcool Alcomira, de Mirandópolis. Os sem-terra interditaram a estradavicinal que liga a cidade à Primavera e fizeram o controle de tráfego no local. A Polícia Militar foi chamada, passou o diaobservando a movimentação, mas fez intervenção. A fazenda, considerada improdutiva por decreto presidencial no início de 2002, foi arrendada pelo seu proprietário, RubensFranco de Melo, para a usina fazer o plantio da cana. Ontem, não havia ninguém na usina autorizado a informar os prejuízoscausados pela retirada da plantação. O advogado Manoel Bomtempo, que representa Melo, disse que entraria ainda hoje com ação de reintegração de posse e queum levantamento está sendo feito pela polícia para apurar os prejuízos causados pela ação do sem-terra. O padre belga ReneeParren, um dos coordenadores da invasão, disse que o plantio da cana é uma estratégia adotada pelos fazendeiros para evitar adesapropriação e atrasar o processo de reforma agrária. "Com o plantio da cana, eles recorrem à Justiça pedindo nova perícia,alegando que a perícia do Incra está errada e que a fazenda é produtiva porque tem cana plantada. Ocorre que a perícia do Incra foifeita antes, por isso, a fazenda foi considerada improdutiva", declarou. Segundo ele, o plantio "foi um ato de provocação dos fazendeiros para as centenas de famílias que estão acampadas há anosna margem da fazenda", declarou. Além destas famílias, há entre os invasores, famílias de acampamentos de outras cidades daregião. Segundo Parren, os sem-terra pretendem plantar feijão e arroz no lugar da cana.O advogado Bomtempo disse, porém, que seu cliente conseguiu na Justiça Federal liminar que considera da fazenda produtivae, por isso, ela não pode ser desapropriada. O advogado também disse desconhecer a acusação dos sem-terra de que osproprietários da área teriam colocado fogo em cerca de 2.000 metros quadrados de reserva florestal que existe na fazenda. "Issoeu desconheceço". Segundo Lourival Plácido de Paula, da direção estadual do MST, a ação dos sem-terra comprova o clima de tensão quereina nas áreas ocupadas na região. Segundo ele, os sem-terra ameaçam atear fogo em tratores e benfeitorias dos fazendeiros esó estão sendo contidos pelos dirigentes do MST, que acham que, por enquanto, não é hora de radicalizar. "Não sei até quando vamos segurar esta situação", disse ele. A ocupação da Primavera foi a segunda em dois dias. Na quarta-feira, cerca de 600 sem-terra invadiram a fazenda Ipê, emCastilho. Há uma semana, cerca de 300 famílias já haviam invadido as fazendas Timboré, em Andradina, e Tapyr, emSuzanapolis.

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