Sem-terra desocupam prédio do Incra em Cuiabá

Integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST) desocuparam hoje, por volta das 5h, o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Cuiabá, invadido na quarta-feira, numa ofensiva do movimento que ocorreu em cinco Estados. Por determinação da Justiça Federal, que obrigou a desocupação, o Incra terá que apresentar quarta-feira relatório sobre os processos de desapropriação de terras para reforma agraria em Mato Grosso, numa audiência com líderes estaduais do MST.Durante a invasão dos cerca de 500 sem-terra, 18 vidraças da fachada do prédio foram quebradas em um confronto entre os integrantes do MST e do Movimento dos Trabalhadores Acampados e Assentados (MTA), grupo dissidente do MST. A Polícia Federal abriu inquérito para identificar os responsáveis pela depredação.Desde o dia 2 de fevereiro, cerca de 900 trabalhadores - 500 do MST e 400 do MTA - estão acampados em frente ao Incra em Cuiabá. O MST cobra do Incra a assinatura de decretos de desapropriações de cinco fazendas localizadas no médio-norte do Estado, que totalizam 80 mil hectares, para assentar 2 mil famílias. Em Mato Grosso, o MST reivindica a desapropriação de 39 fazendas para assentar 3,5 mil famílias. O MTA reivindica a desapropriação de 17 fazendas improdutivas no Estado, que, juntas, somam 40 mil hectares. As terras, segundo os líderes do movimento, seriam suficientes para assentar 1.400 famílias.O superintendente do Incra em Mato Grosso, Joary Catarino Arantes, informou que vai se reunir nos próximos dias com líderes estaduais do MST para atender as reivindicações do movimento. "Somente com o prédio desocupado é possível negociar", disse ele. Arantes informou que vai aguardar resultado de uma perícia no prédio para avaliar os estragos causados no prédio pelo MST.

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