Sem-terra desocupam ferrovia da Vale no Pará

Justiça havia dado prazo de 5 dias para governadora acionar força policial

Carlos Mendes, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

19 Outubro 2007 | 00h00

Ocupada por aproximadamente 3 mil pessoas ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST), desde a manhã de quarta-feira, a Estrada de Ferro Carajás, no sudeste do Pará, foi liberada no fim da manhã de ontem. Os sem-terra, com um grande número de mulheres e crianças, tinham acampado sobre o leito da ferrovia - da Vale do Rio Doce - no trecho que atravessa o município de Parauapebas. Eles só resolveram sair depois que o governo federal mobilizou representantes de cinco ministérios para negociar com seus líderes. Ficou acertado que no próximo dia 25 haverá uma reunião, em Brasília, para discutir as reivindicações dos sem-terra. "As famílias não vão abandonar o local - apenas permitiremos a passagem dos trens da Vale do Rio Doce, enquanto durar a negociação com o governo", explicou Charles Trocate, da coordenação estadual do MST. Na noite de quarta-feira, o juiz federal Francisco Garcês Castro Júnior, de Marabá, já tinha concedido liminar ao pedido de reintegração de posse feito pela Vale e determinado a desocupação da ferrovia. De acordo com a determinação judicial, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), teria que mobilizar forças policiais e remover os sem-terra num prazo de cinco dias. Na ocasião da invasão da ferrovia, o MST apresentou uma lista de reivindicações com 15 pontos. O primeiro deles diz: "Reestatização da Companhia Vale do Rio Doce como forma de devolver ao Estado nacional e ao povo brasileiro uma empresa de caráter estratégico para a economia e a soberania nacional." Os pontos seguintes incluem, entre outras coisas, um plano emergencial de assistência aos assentamentos rurais da região; maior fiscalização sobre os possíveis impactos ambientais causados pela atividade mineradora; e o corte do repasse de ferro a empresas instaladas no Pará e no Maranhão acusadas de não cumprirem suas responsabilidades ambientais e sociais. A Vale disse não ter nada a ver com as reivindicações feitas pelos manifestantes e, portanto, não tinha como negociar com eles. Na quarta-feira, o último trem da empresa com carregamento de minério de ferro passou pela região de Parauapebas às 10h45 e foi apedrejado pelos manifestantes. Temendo acidentes a Vale suspendeu o tráfego, com prejuízos para suas operações. Até ontem, a invasão tinha impedido a circulação de 2.700 vagões de carga. Na quarta-feira, o rumor de que o Exército estaria se preparando para retirar os invasores tornou ainda mais tenso o clima entre. Toras de madeira ficaram atravessadas nos trilhos para evitar a aproximação dos trens, enquanto barracos eram montados sobre a ferrovia. COLABOROU ROLDÃO ARRUDA

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