Sem-Terra desocupam fazenda do irmão de Renan

Cerca de 400 famílias invadiram a propriedade na terça; Olavo Calheiros considerou ocupação um 'absurdo'

Ricardo Rodrigues, do Estadão

28 de julho de 2007 | 12h11

Os trabalhadores rurais sem-terra terminaram de desocupar,na manhã deste sábado,28, a fazenda Boa Vista, que fica na zona rural de Murici, a 59 quilômetros de Maceió. A fazenda pertencente ao deputado federal Olavo Calheiros, irmão do senador Renan Calheiros (ambos do PMDB de Alagoas). Veja também: Cronologia do caso Renan  A desocupação começou na sexta à noite, depois de várias reuniões entre as lideranças dos sem-terra, policiais do Centro de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar e o corregedor do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Sebastião Costa Filho.  Ônibus e caminhões cedidos por prefeituras foram usados para a retirada dos sem-terra da área.A ocupação da fazenda Boa Vista ocorreu na tarde da última terça-feira.  Participaram da ação 400 famílias de trabalhadores rurais sem-terra, ligadas à Comissão Pastoral da Terra (CPT), ao Movimento dos Sem-Terra (MST), ao Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade. Segundo o coordenador da CPT em Alagoas, Carlos Lima, a desocupação da fazenda ficou condicionada a intervenção no Cartório de Murici, cuja tabeliã, Lourdes Ferreira, é acusada de fraudar documentação para "legalizar" escrituras de fazendas fruto da grilagem de terras. A dona do cartório nega as acusações.  Na quarta-feira, o deputado federal Olavo Calheiros considerou a ocupação das terras um "absurdo" e garantiu que comprou a propriedade em 1999. Para ele, a invasão dos sem-terra foi um ato de vandalismo, pois a fazenda é produtiva e está com toda a sua documentação legalizada. acusam Olavo de grilagem de terra na região. A decisão de retirar os sem-terra foi determinada pela Justiça estadual de Alagoas na quinta-feira. A ordem foi assinada pelo juiz José Lopes Netto, da Comarca de União dos Palmares. Temendo o conflito, foi acionada uma equipe do Centro de Gerenciamento de Crises da PM para negociar. Apesar do acordo que garantiu a saída dos sem-terra, o grupo não descarta, agora, invadir o cartório, como já fez há dois anos. Protestos A semana foi tumultuada em Murici. Na quarta-feira, cerca de 2.500 sem-terra promoveram uma manifestação e uma marcha pela cidade, ameaçando invadir a fábrica de refrigerantes Schincariol, o cartório, o fórum e a prefeitura da cidade. O prefeito de Murici é Renan Calheiros Filho (PMDB). A manifestação começou na fábrica de refrigerantes, alvo de outra acusação envolvendo Olavo Calheiros. Segundo os manifestantes, o irmão de Renan gastou R$ 10 milhões na montagem da fábrica de tubaína Conny, usando dinheiro emprestado do Banco do Nordeste.  Depois, teria vendido o empreendimento para a Schincariol por R$ 17 milhões, em troca do perdão de uma dívida, estimada em R$ 100 milhões, do grupo com a Previdência. A empresa, Renan e Olavo negam as acusações dos sem-terra. Texto atualizado às 14h10

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