Sem-terra deixam ferrovia da Vale

MST diz que foi gesto de boa vontade para reabrir negociações; empresa cobra proteção policial na área

Carlos Mendes, BELÉM, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

Os sem-terra liberaram ontem a Ferrovia de Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce, ocupada na quarta-feira, mas a empresa, responsável pelo transporte de passageiros entre o Pará e o Maranhão, só restabelecerá o tráfego de trens amanhã. A Vale teme que os manifestantes, que ainda estão a poucos metros da ferrovia, voltem a bloqueá-la. A previsão era que o transporte de minério fosse retomado no final da tarde de ontem. A empresa cobra dos governos federal e estadual o envio de forças policiais para garantir suas operações na ferrovia sem risco de violência contra empregados e depredação dos trens. Segundo a Vale, uma locomotiva e os vagões que estavam em poder dos invasores foram devolvidos. O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) Charles Trocate justificou o desbloqueio da ferrovia como "gesto de boa vontade" do movimento para reabrir as negociações com representantes dos governos federal e estadual. "Eles prometeram vir aqui conversar. Vamos esperá-los. A Vale pode passar seus trens quando quiser", afirmou.Para manter a mobilização dos agricultores, o MST decidiu que ninguém abandonará o local. Cerca de cinco mil pessoas armaram barracas e montam vigilância na área. O Assentamento Palmares, próximo dos trilhos, virou quartel-general das manifestações. Há comida suficiente para manter as famílias por 15 dias na área. O tamanho da pauta de reivindicações rivaliza com o número de manifestantes mobilizados em 14 assentamentos e nove acampamentos da região. Ao todo, o documento engloba 150 temas gerais e específicos.Sugere o que deve ser feito na economia do País, condena o agronegócio e propõe uma política de emprego ao governo federal.

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