Sem-terra bloqueiam novamente rodovia em PE

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores (MT) ? uma dissidência do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Nordeste - voltaram a interditar nesta quinta-feira pela manhã um trecho da BR-101, próximo à cidade de Novo Lino, na divisa de Alagoas com Pernambuco. O bloqueio começou às 7 horas e durou até o meio-dia, quando o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar de Alagoas, que acabara que chegar à cidade, se preparava para desbloquear a rodovia.O clima continua tenso na cidade, e os sem-terra preparam novos bloqueios. Eles estão revoltados porque, nesta quarta-feira à noite, dois integrantes do MT (José Antônio dos Santos Silva, 21, e José Barbosa da Silva, 35) foram baleados, durante um bloqueio no mesmo trecho da rodovia BR-101, a três quilômetros de Novo Lino.DisparosO coordenador do MT, Valdemir Agostinho, afirmou que os disparos que atingiram os sem-terra, que estão internados num hospital de Palmares (PE), foram feitos por um policial militar que trabalha no posto fiscal do município.Segundo Agostinho, o militar estava numa motocicleta, escoltando um veículo que transportava funcionários do posto fiscal. ?O carro já tinha sido liberado pelos sem-terra, mesmo assim o PM desceu da moto, virou-se e efetuou os disparos?, disse o coordenador do MT.SaquesAgostinho assumiu que o bloqueio foi feito para saquear caminhões com cargas de alimentos. ?Há vários dias estamos sem alimentos, e a única maneira de consegui-lo é cometendo saques. Inclusive, várias crianças já foram internadas com fome?, explicou Agostinho.Segundo ele, os bloqueios e os saques vão continuar enquanto o comando da PM não apresentar o militar que feriu os sem-terra. ?Também exigimos do Incra a desapropriação das fazendas Belo Horizonte, Amapá, Araguari, Niterói e Ouro Preto, já vistoriadas?, destacou Agostinho.PedágioTrabalhadores rurais ligados ao MST também bloquearam nesta quarta-feira a ponte sobre o Rio Camaragibe Mirim, na BR-101, a 200 metros do trevo de acesso à cidade de Joaquim Gomes. Os sem-terra chegaram a cobrar pedágio e, por volta das 15 horas, saquearam um caminhão de biscoitos.A ponte foi bloqueada pela manhã e desbloqueada à tarde, sob chuva. Uma das lideranças do MST, Marcos Antônio da Silva, o ?Marrom?, disse que a interdição foi realizada como forma de pressionar o Incra de Alagoas a desapropriar as terras da antiga Usina Serrana.Segundo ?Marron?, o superintendente do Incra em Alagoas, José Quixabeira, está em Brasília. ?E nós queremos uma solução rápida, pois já esperamos mais de 4 anos pela imissão de posse das terras da Serrana, consideradas improdutivas?, acrescentou.RevoltaDurante o bloqueio da ponte, os integrantes do MST cobraram pedágio para liberar a passagem dos veículos. De cada motorista, eles recebiam, no mínimo, R$ 1,00. Os motoristas que se recusavam a pagar eram impedidos de seguir viagem.?Parece que estou em outro País?, desabafou o representante comercial Marinaldo Cavalcante, retido durante mais de três horas no bloqueio, que acabou gerando um congestionamento de mais de 10 quilômetros. ?Estão impedindo o direito assegurado na Constituição de ir e vir?, reclamou o motorista.MST critica: é ?bandidagem?Cristiano dos Santos, da coordenação estadual do MST, disse que o movimento não autorizou nenhum tipo de protesto dessa natureza. Ele acusa ?Marrom? de manobrar alguns trabalhadores, juntamente com pessoas infiltradas, que não são ligadas ao MST, para promover ?bandidagem?.?O Marrom não faz mais parte da coordenação?, afirmou Cristiano. Ele garante que os autores do bloqueio e do saque serão identificados e expulsos do movimento. ?Vamos fazer uma limpeza e entregar os que não são trabalhadores à polícia?, prometeu. Andréa Borges, da coordenação estadual do MST, também condenou as ações dos sem-terra em Joaquim Gomes. Ela taxou de ?oportunistas? as pessoas que estão promovendo bloqueios, saques e pedágios, sem autorização das verdadeiras lideranças dos movimentos sociais.As mais de 200 famílias que aguardam a imissão de posse da fazenda Serrana se dividiram em dois acampamentos, às margens da BR-101, próximo a Joaquim Gomes. Há informações de que houve um racha, e muitos estão migrando para o Movimento para Libertação dos Sem-Terra (MLST). Cristiano adiantou que a coordenação estadual do MST pretende desativar o acampamento na BR-101, em Joaquim Gomes. Segundo ele, as famílias seriam removidas para os acampamentos de Bebidas, Bolo e até para a Praça da Faculdade, em Maceió.

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